Não me pergunte por quê. A única resposta que tenho é o cansaço de viver numa montanha-russa de sentimentos, que me leva do mais alto topo da felicidade até a mais estranha profunda tristeza, num passeio envolvido por toda a adrenalina devida, que dura alguns poucos dias e tudo que eu tenho no final é um coração batendo fora do ritmo.
Batendo pelos doces dias num lugar de delícias, num paraíso florido de hortênsias, com perfume de chocolate nos lábios e no ar, e pra ser "bittersweet" como minha vida, o que mais me agradou, é claro, foi o chocolate com pimenta.
Coração que ainda sente o embalo da canção por toda a madrugada, que se eleva na elegância das tardes românticas enevoadas, regadas pelo vinho suave que o esquentava no frio; que se aquieta no aconchego das noites em caracol debaixo de uma manta quadriculada laranja e verde, com o balançar do ônibus na estrada, me lembrando que você estava bem ao meu lado, enrolado em sua própria manta, que se misturava com a minha, tanto na viagem de ida, quanto na volta... Um simples desconhecido, mas que, por hora, era tudo que meu coração queria. Um desconhecido que estranhamente por uma noite resolveu cuidar de mim.
Coração que se iluminou por ruas de delicadezas, por gestos de extrema educação, por sabores divertidos e muitas danças, jogos e carinhos.
Dançar por toda a madrugada o fez se sentir livre, pronto pra voar pra qualquer terra onde pudesse aterrissar.
Coração que, então, volta pro seu ninho, pro que supostamente era seu e o que recebe? Um golpe que o faz desmoronar dos seus vôos altos. O golpe de ser enganado, de ser trocado por tão pouco. Ou por muito menos do que ele acreditava ser valioso pra quem o amava. E pra quem ele amava.
E, como sempre, em um pôr de sol na praia, meu coração se sente seguro. Numa conversa de palavras sinceras, ele relembra a doce sensação de querer apenas se sentir em casa.
E entre os seus, ele estava em casa. Ao olhar pro seu rosto, intrigantemente bonito, e ver o brilho dos seus olhos castanhos escuros contrastando com o azul do mar, ao ouvir sua fala amiga, ele se sentiu em casa.
E, no sobe e desce da montanha-russa, ele entendeu por que o fez tão bem dormir no balanço do ônibus, ao lado do dono daquela pele morena-canela, com alguns fios prateados entre os fios pretos do cabelo. Porque amar algo que ele não conhece não é difícil, não o faz se envolver, se entregar totalmente, como ele sempre teima em fazer. (Porque depois ele sabe que vai pagar o preço dessa entrega. A entrega é sempre retribuída com decepção.) Faz apenas ele sonhar, imaginar estar ali, ao lado de alguém que ele sabe que não vai perder, pois não se perde aquilo que não se tem. E isso basta. Ao menos por enquanto.