"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Divisor de águas

Projeto Barnabé - Uma revisão...

Nem se eu pudesse usar todas as palavras do mundo - sem exageros - eu conseguiria expressar com elas todas as emoções e sentimentos que eu vivi durante esses doces 15 dias. Mas posso, quem sabe, deixar aqui o gostinho do que é simplesmente SERVIR.
Pra começar, preciso dizer que senti na pele o que é ser o sal da terra. Aprendi na prática o que é se esvaziar totalmente de si mesmo e se deixar nas mãos de Deus, pra que Ele faça com você o que quiser. Pra que Ele leve seus passos pra lugares onde você nunca imaginou estar. E ao chegar nesses lugares, ser recebida com palavras que confirmam que você estava sendo esperada. (Mas como, se você nunca antes viu tais pessoas? Se nunca falou com elas e nem sabia o que elas estavam fazendo?) Mas Deus as conhecia.
Meu roteiro começou com uma pequena viagem até Juiz de Fora. Sim, pequena, comparada com a próxima viagem, a ser feita dali a algumas horas. E, apreciando o caminho, recordando a serra que me levou até Ouro Preto um dia, jamais poderia imaginar que essa seria a primeira das muitas vezes que eu frequentaria os ônibus da Útil.
Nos primeiros minutos, já fui me adaptando aos que seriam meus companheiros na aventura. Os que se tornariam meus melhores amigos pelos próximos 15 dias. Entre as apresentações, primeiros contatos e conversas, "no céu, uma estrela então brilhou...", mas isso é assunto para um outro post.
Depois de quase 24 horas, muitas rodadas de "a cidade dorme", alguns DVDs e a expectativa do almoço que não veio, chegamos ao nosso querido destino.
Recebidos com uma festa pra lá de caipira, um arraiá digno de "sertão" mesmo, com direito a fogueira, berrante, muitas espigas de milho e até "quentão gospel", bastou um cachorro quente e bolo de fubá pra esquecermos o quanto estávamos exaustos e dançarmos forró (ou louvor rural), dança das cadeiras e subir no pau de sebo.
Mas ao chegarmos no aconchego dos lares das pessoas que por uma noite seriam "nossas famílias", como pedras, só acordamos na manhã seguinte. E com disposição total pra usar toda criatividade possível numa gincana bíblica e pra correr pelas dependências da igreja numa agitada "caça ao tesouro".
E o resto do dia passou assim, entre visitas e música, com toda serenidade daquela cidadezinha que transmite tanta calma em seus ares. Mas tudo isso foi só a introdução. E não se parecia nem um pouco com as batalhas que sabíamos que nos aguardavam na cidade ao lado. E como guerreiros destemidos, cheios da certeza da vitória de Deus, que estava ao nosso lado, partimos para lá.
Fomos mapear o campo de batalha, caminhando em silêncio, os verdinhos, por toda a Vera Cruz do Oeste.
E então, na mesma tarde, nossa guerra começou. E de casa em casa, de vida em vida, entre erros iniciais e acertos do Espírito Santo, uma nova Vera Cruz começava a nascer.
"Diariamente, perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (Atos 2. 46 e 47)
Todas as noites, aquele espaço diminuía, enquanto o número de pessoas atraídas a ele crescia vigorosamente.
E eu, deslumbrada ao ver todo dia o poder de Deus tão de perto, tão real, e fascinada por estar fazendo parte dessa obra Dele, não poderia nem imaginar que o que Ele iria fazer estava apenas começando. E mais, Ele não faria mudanças e milagres apenas naquelas vidas que fomos ali alcançar. Mal podíamos ver que os maiores milagres Ele estava operando em nós mesmos.
E aí, a gente começa a aprender o que é, de fato, ser útil. Esquecer seus pequenos problemas pra consolar corações feridos, para ministrar cura em casos sem solução, para levar libertação e dizer que há ainda esperança. E dia após dia, crianças descobrem que têm em Jesus um grande amigo, mães percebem que Ele é a solução para seus filhos perdidos. Jovens se perdendo em meio às trevas das drogas e da prostituição começam a notar que Alguém pode preencher todo o seu vazio.
E então, você tem a oportunidade de se dar, de servir. Você faz a unha e alisa o cabelo de mulheres que nunca fizeram isso na vida. Você acompanha o atendimento médico de quem não sabe mais o que fazer. Mais bonito ainda, você acompanha o atendimento do Médico que vai curar a alma daquelas pessoas.
Deus te manda na casa de alguém que pediu, há uma semana atrás, que recebesse um sinal de que poderia voltar a igreja, pois o marido alcóolatra a proibia.
Depois de andar por 14 kilômetros, você chega num paraíso no meio do campo, onde você encontra uma família que chora a morte recente de um filho. Uma mãe que pedia a Deus pra mostrar o Seu amor e compaixão pra com eles. E você é a resposta de Deus, mesmo sem saber. Ao ouvir "vocês fizeram a diferença na nossa vida", vai tomando lugar a sensação de missão cumprida.
Enquanto isso, uma família ia nascendo. Irmãos que estariam para sempre juntos, mesmo quando aqueles 15 dias acabassem. Irmãos unidos com laços espirituais que durariam por toda a sua vida. Os irmãos que enxugaram suas lágrimas quando você quis desistir. Que fizeram as orações quando você não tinha mais forças, sem poder resistir às pressões malignas que queriam impedir o projeto de ir a frente. Os irmãos que se importaram, que te deram conselhos queridos, que se alegraram com sua vitória, que suspiraram por seus sonhos, que adoçaram com mimos o dia do seu aniversário, e você não se sentiu passando-o sozinha numa cidade estranha, pois você não estava entre desconhecidos.
Tantas histórias eu poderia contar... Tantos feitos e maravilhas. Quantas vitórias? Quantas palavras Dele, lidas em um momento e vividas, presenciadas, sentidas, no momento a seguir...
Como é bom saber que voltei de lá transformada, quando o objetivo inicial era transformar. O Projeto Barnabé, indiscutivelmente, dividiu as águas da minha vida. Moveu águas que eu nem esperava que seriam mexidas... Quem quer que tenha dito isso, tinha razão, "você não volta igual de um projeto missionário".
E o que me faz feliz, mesmo estando de volta "ao mundo real" (esse um pouco mais complicado, barulhento e poluído - em todos os sentidos) é saber que os frutos irão comigo por toda a minha existência. Os frutos, os presentes, as pessoas...
E o que inquieta, é que ainda há tanto pra fazer... Tanto por aqui, tanto por tantos lugares...
Por isso, clamamos ao Senhor da Seara, que mande trabalhadores para Sua Seara!

"Da multidão dos que creram, era só um o coração e a alma,
uma somente, uma semente...
Somente uma esperança brotando dentro da gente
Nosso era o pão cada dia,
nosso era o vinho, santa folia!

O que se parte, reparte a própria vida...
Galho ligado à parreira, vida em comum verdadeira
Sempre grande poder, curas, milagres de Deus
Sempre proclamação: Cristo, o Senhor, ressurgiu!

Da multidão dos que creram era só um o coração e a alma
Muita alegria, singela a vida
Na simpatia de todos, nasce a igreja de novo
Povo de Deus, sal e luz pra todos os povos!"

(Unidade e Diversidade - Vencedores por Cristo)

Mais fotos e informações sobre essa missão em: Projeto Barnabé - álbum

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Um dia acordarás...

"Um dia acordarás num quarto novo, sem saber como foste para lá.
E as vestes que acharás ao pé do leito,
de tão estranhas te farão pasmar...

A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás…
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste,
em um sorriso triste,
te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te, para teu assombro:

- Não te assustes de mim, que sofro a tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…"

(Mário Quintana)

Graças a Deus, mesmo após 21 anos de espera,
que todo dia agora
acordo nesse quarto novo...
Mesmo sabendo que a estrada pra chegar até ele
foi longa e complicada.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Bittersweet

Durante a semana passada inteira, estive pensando nessa palavra - para mim, uma das mais bonitas que já ouvi. Assim mesmo, sem tradução, no idioma que sempre encantou meus ouvidos.
Hoje, para dar início as minhas tão almejadas (e arduamente conquistadas) férias, fui escolher o livro que me acompanharia durante as mesmas.
Para tanto, recorri a minha biblioteca particular, herdada com orgulho por mim, da minha madrinha.
Claro, meus olhos pousaram imediatamente sobre os livros da Danielle Steel, nos quais tantas vezes li minha própria existência, vi descritos sentimentos que tanto se misturavam aos meus, passeei por cenários tão bem adaptados às cenas da minha vida.
Aleatoriamente, minha mão parou sobre o livro de capa azul. Era um azul bem forte, bem vivo. "Meio amargo".
Ao abrí-lo, a dedicatória:
"Para Tom,
no acre e
no doce."

Mesmo depois das duas indiretas (a do título e a da dedicatória), minha mente ainda não tinha entendido a mensagem.
Até que meus olhos chegaram na contra capa: "Título original norte-americano: BITTERSWEET".
Ainda surpreendida com a curiosa coincidência, fui até a página que precede o primeiro capítulo. E nela, tive total certeza da sintonia que sempre existiu e sempre existirá entre eu, esses livros e a minha madrinha.
Depois de passar pelos últimos dias totalmente apreensiva e assustada, encontro essas palavras escritas no meio dessa sintonia (que atravessou mundos, épocas e línguas):

"Nunca se conforme com menos do que seus sonhos.
Em algum lugar, em algum tempo, algum dia, de alguma
forma, você irá encontrá-los"

"Bittersweet memories... that is all I'm taking with me..."

(I will always love you - Whitney Houston)

sábado, 5 de julho de 2008

Procura-se...

...um amor:

que goste de cachorros

que saiba dançar e ame isso a noite toda

que saiba ouvir música e faça dela sua rotina

apaixonado por filmes (acompanhados sempre de brigadeiro de panela, ou um chá quente, debaixo de uma coberta macia, ao som de uma chuva fina, numa doce madrugada)

alto, forte, de olhos azuis e cabelos pretos (esse item até pode ser dispensável, mas já que eu tô falando de sonhos...)

que saiba ouvir

que se não puder ser, que ao menos entenda e aceite o romantismo

que se entregue a Deus antes

que saiba orar, nos momentos fáceis e nos difíceis

que seja sensível, e portanto, aceite viver uma história única
e eterna
enquanto puder...

que seja leal, e portanto fiel

que leia a bíblia comigo, mas não faça SÓ isso

que leia bons livros e os incorpore a si

que encontre prazer num sábado no teatro,

ou num momento sob a lua em frente ao mar

que seja o canto, a voz, a melodia,

que seja a poesia, os acordes, os mais lindos

que ouse encarar o novo, sem medo

que não tenha medo de trilhar outros caminhos,
conhecer novos rumos
e explorar o desconhecido

cujo coração bata forte ao ouvir
que há muito pra ser feito nesse mundo

e que me acompanhe nessa missão: a de fazer o que eu posso
de falar do amor, da paz,
de proteger a criação
de salvar vidas (aqui na terra e lá no céu)

que tenha ouvidos que se adaptem
ao tom da minha voz
e não interrompa meus raciocínios mais importantes
só porque eu tô falando alto

que se revele em pequenas surpresas

que surpreenda ao longo da semana

que ouça a trilha sonora que embala o beijo

que tenha olhos que brilhem no meio da noite
(ou no meio da terça feira mais corrida)

que seja sensível à brisa que toca a face

que experimente o que é chorar de emoção

que sinta saudade e se deixe agir por ela de vez em quando

que saiba o papel da razão e o da emoção e saiba fazer uso de cada uma delas
nas situações em que uma precisa calar a outra

que tenha ânsia de independência,
e de liberdade
tanto quanto eu

que me leve pra onde for
mas que também possa ir
onde meus passos me quiserem levar
que traduza nosso amor com as letras do Chico,
do Djavan,
do Caetano, Tom e Vinícius
que se encontre escrito e revelado nos versos
de Cecília e do Quintana
que sonhe o meu sonho

de ser pai de um casal de gêmeos
e que me deixa pôr neles os nomes
de Isabella Maria e Eduardo Isaac

Que um dia queira adotar mais 2 meninas
e me deixe chamá-las de Letícia e Clarice

que não reclame quando eu comprar um fusca rosa

que exalte os minuciosos detalhes (redundante?)
ou seja,
que note a diferença de unhas com e sem esmalte,
que aprecie os centímetros a menos no meu cabelo,
ou que elogie se ele estiver liso,
ou com as pontas em caracol

que faça uma música com o meu nome,
e toque ela pra mim
depois da nossa primeira discussão
(já que ela é inevitável)

que seja criança
quando quiser brincar nos parques
nadar nas cachoeiras
correr na água da praia
cair e ralar o joelho nas trilhas
que terminam em paisagens sublimes
como o arco-íris termina num pote de ouro

que seja melancólico,
mas sem ser demasiadamente

que leia entrelinhas

e que encontre nelas inspiração
pra escrever versos,
poemas,
cartas,
canções

que tenha um ideal e não descanse até alcançá-lo

que possua garra, sonho, imaginação
que se somem aos meus
e que esses juntos, então
nos levem ao longe
ao futuro

que junto comigo possa ver o futuro que nos aguarda
e mergulhar nele sem olhar pra trás

que, um dia, nesse futuro
possa olhar pra trás
e chorar,
lágrimas de emoção
lágrimas de vitória
de conquista

"Ah! - gritou-se muda de repente - que o Deus me ajude a conseguir o impossível, só o impossível me importa!" (Clarice Lispector - Uma aprendizagem)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Falando sério

Não quero seu amor por um momento
e ter a vida inteira pra me arrepender.


Despertar

"eu não vejo a hora de lhe dizer
aquilo tudo que eu decorei
e depois o beijo que eu já sonhei..."

Tanto ensaio e rascunhos. E você me fez falar assim, sem querer, sem pensar.
Quando me dei conta já tava falando.
Aliás, quando me dei conta, já estava sentindo. De novo.
A meiguice que despertou o sentimento escondido por séculos, num sono profundo.
Primeiro, me absolvi da culpa, porque falei pra justificar a minha recusa ao seu pedido.
Não, não foi por impulso.
Depois me culpei pelo excesso de sinceridade.
Mas você sempre exerceu esse efeito sobre mim: me fazer ser sincera por inteiro sem perceber.
Como se você fosse minha droga da verdade, minha ketamina.
O que você fez com a informação?
Guardou pra si? Certamente.
Mas e a reação esperada?
Não sei. Você guardou dentro de si. Não exteriorizou pra mim.
Mas falou o que eu não queria ouvir.
e "se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim..."
Mas não perdi. Só não sei mais o que fazer com eles.
Teimosia ou esperança? Talvez...

-Citações: "Ando meio desligado" - Pato Fu; "Se eu não te amasse tanto assim" - Ivete Sangalo -