Onde está, oh morte, a tua vitória?
Tu, com teu potencial de em muitos provocares pavor
Tu, com tua aparência de forte cavaleira invencível
Estás presente em todo o universo
e não há quem de ti escape
És fonte de dúvidas em todas as mentes
Implacável em todas as espécies
Assunto de estudos há muitos séculos
Inspiração de teorias em todas as ciências
Fim da vida?
Domínio imbatível?
És a única força que o homem, brincando de Deus,
ainda não pôde combater
Curiosidade não há quem não tenha
Mas todos evitam pensar em ti
pois o que depois de ti acontece
é o que mais obscuro ainda permanece
Era pra seres natural a nós,
visto que és a única certeza que nos espera
Destino certo de toda jornada
Mas és o que traz medo
Não fomos criados pra ti
Forte é apenas rima para o teu nome
Final és apenas para os que assim desejam
Teu poder é falso,
só amedronta os desavisados
Houve um mais forte
que te venceu
pela força do amor
(De fato, primo da morte,
e da morte vencedor...)
Aquele que conseguiu ressuscitar
a vitória da vida sobre ti
Tragada foste, oh morte, pela vitória
No teu lugar, aqueles que O querem
recebem uma vida
(outra vida,
e que vida!...
Nova vida!)
Estes, que não te temem
Estes, que até mesmo se alegram ao te receber
Sabem que estarão seguros
Ao invés de seres final,
para estes és início.
(Fernanda Maria)
- Citações: I Coríntios 15.54-55; As sem-razões do amor - Carlos Drummond de Andrade; Expressão de louvor - Grupo Logos -
terça-feira, 31 de março de 2009
Ensaio sobre a morte
domingo, 29 de março de 2009
Aula de dança

"... E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão." (Shakespeare)
P.S.: Estou tendo aulas práticas da arte de transformar a queda num passo de dança... E por incrível que pareça, está sendo uma delícia dançar!
quinta-feira, 26 de março de 2009
Rifa-se um coração
"Rifa-se um coração quase novo.Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado,
meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente,
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu:
“… não quero dinheiro,
eu quero amor sincero,
é isso que eu espero…”
Um idealista…
Um verdadeiro sonhador…
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva
a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente.
Contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer, na hora da prestação de contas:
“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança,
que insiste em não endurecer e se recusa a envelhecer”
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado,
provavelmente por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta."
(Clarice Lispector - mas poderia ter sido eu.)
sábado, 14 de março de 2009
Eu e você
Quero passar minha vida
vivendo você
Quero viver meus sonhos
sonhando você
Quero alimentar meus desejos
desejando você
Quero ventilar meus pulmões
respirando você
Preciso aquecer meu inverno
dormindo no seu calor
Em minhas primaveras
sentir o perfume da sua flor
Quero, em cada chuva
recostar no abrigo - você.
Quero passear em meu mundo
namorando você
Passar meus dias e noites,
meus milênios e eternidades
beijando você
Quero tornar minha existência
existindo em você
Quero morrer minha morte
na doçura do que terá sido nossa vida:
eu e você."
(Fernanda Maria, 14/12/07)
P.S.: Depois de muito tempo me deixando ser lida nos versos alheios, resolvi publicar um texto meu. Há outros desses,"mas, meu amor, eu não te digo ainda... Que a boca da mulher é sempre linda se dentro guarda um verso que não diz!" (Florbela Espanca)
terça-feira, 10 de março de 2009
Amor vai sempre ser amor

P.S.: E depois eu chego a ficar constrangida com esse estado de euforia interna que falar ou estar com você gera em mim; que me faz falar alto, gaguejar, falar antes de pensar, não pensar, gargalhar descontroladamente quando eu quero parecer séria e adulta, que me faz ser eu mesma, assim, vibrando de emoções, escandalosa, apaixonada, inconformada, falante compulsiva. Me faz perguntar se um dia você vai me querer como eu te quero, ou como você me diz.








