"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

sábado, 31 de maio de 2008

Feliz...

- porque os abraços não precisam durar mais que 3 segundos para serem inesquecíveis...

- porque eu descobri que posso ter em minhas mãos mais do que ouso querer ("Pede-me e eu te darei as nações por herança..." - Sl 2.8 - tá bom pra você?)

- porque orações são sim respondidas e é porque Deus me ama...

- porque os sonhos que Ele realiza não são apagados, os castelos que Ele constrói não podem ser destruídos por mãos humanas!

Feliz, bem feliz...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Da fuga

"Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.

Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.

Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.

Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.

Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma..."
(Frederico Garcia Lorca)


Versos íntimos

"Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
enterro de tua última quimera
Somente a ingratidão — esta pantera —
foi tua companheira inseparável

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
mora entre feras, sente inevitável
necessidade de também ser fera

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"

(Augusto dos Anjos)



sábado, 24 de maio de 2008

Impressões do novo velho mundo

Fico feliz de perceber que a minha receita de respirar outros ares, estar em outros lugares e redescobrir outras pessoas está trazendo resultados... Me sinto até quase curada daquela solidão sem fim.
Foi bom constatar que não estamos sós, de fato. Estamos apenas ilhadas. Mas há outras pessoas no mundo. Vir aqui foi como receber sinais de fogo do continente. E esses sinais diziam coisas muito boas. Diziam que há pessoas que oram por nós de madrugada. Que choram baixinho no quarto quando vamos embora. Que sentem saudade e vibram de felicidade quando nos vêem chegar, porque chegamos de surpresa.
Me senti acolhida por alguém. Me senti em uma família... De repente, me dei conta de que era a minha própria família... De que não estamos próximos porque as circunstâncias nem sempre nos permitem viver do jeito que queremos. Mas é só por isso, não é porque eles não se importam...
É uma família, com seus dilemas, suas rotinas, sua própria forma de amar, difícil de entender em certos momentos, mas é uma forma de amar. E isso basta.
E também foi bom constatar que a gente cresce, a cidade se moderniza, a vida se complica, a família aumenta (Porque houve perdas, mas os ganhos garantiram o saldo positivo), a vida de gente grande vai surgindo, o burburinho vai ficando mais forte, mas o que havia de doce e de serenidade aqui, que eu sentia desde pequena, isso não mudou...
A tia das preocupações, de todos os motivos para reclamar, a tia das palavras inadequadas, o primo fofo com voz de criança (que curiosamente não mudou, apenas se calou um pouco mais), o primo alto e bonito, a tia das palhaçadas e das grandes risadas, os tios carinhosos, o abraço da chegada, a inflamação da saída, a prima mais velha que vive hoje muito do que eu aguardo viver no futuro, a prima mais nova que fala e age o que eu falava e agia quando tinha a sua idade... e os novos membros da família que foram chegando e se apropriando dos títulos de primos e tios também... E as lembranças, os cenários antigos, os vizinhos, os avós, os animais (os do passado e os do presente), o bolo da tarde, "vamos correr pra atravessar o asfalto", "se arruma rápido porque se perder esse ônibus, outro só daqui a uma hora", a praia cujo mar me faz sentir em um aquário, o cheiro de café, o sal da carne assada... Ahhh... nada mudou por aqui...
E os lugares que pareciam encantadores e gigantes quando era criança, agora não estão mais tão grandes e atraentes assim... Mas ainda são os lugares que me fascinam, que sinto que me pertencem, que ainda guardam a magia dos meus dias de infância.
É, nada mudou por aqui. E eu estou muito feliz por ter redescoberto esse novo velho mundo. Descer do ônibus em frente à pracinha (depois de passar o arco, não esqueça!) foi como avistar a terra firme. Nem preciso chorar por ter que voltar à ilha daqui a alguns dias. Porque já sei o caminho pra cá. E não hesito em voltar muitas e muitas vezes.
Aah, mas o vazio aqui dentro ainda queima... Queima mais do que o sol em frente ao mar...


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Porque não estou em um pedaço da sua memória?

Eu ainda tenho muito de você. E talvez por isso não consiga chorar por ter perdido sua amizade, sua companhia, o convívio com você. Porque pra mim é como se eu não tivesse perdido.
Ainda tenho seu olhar, igual ao meu. Ainda o vejo sorrir quando me olho no espelho. Ainda tenho a imagem (que nunca vou esquecer) dos seus olhinhos castanhos brilhando de felicidade, por ter finalmente se aproximado de mim. Olhando pra mim como se tivesse sonhado a vida inteira em me encontrar. Olhando pra mim como se me abraçar fosse realizar um sonho (e era, ao menos pra mim).
Ainda tenho suas mãozinhas entrelaçadas nas minhas, ao acordar no meio da noite, porque nada mais além disso tinha conseguido nos fazer dormir.
Ainda guardo retratos, mensagens, mas nem precisava, porque se eu quiser te ver, é só fechar os olhos.
Ainda ouço suas palavras, de carinho, de preocupação, de saudade, de admiração. As palavras que me faziam enfrentar tranquilamente qualquer problema, em qualquer dia. Até nos piores dias, até nas piores notícias, com você eu consegui lembrar que ainda havia um motivo pra sorrir.
Ainda lembro do quanto a gente brincava, do quanto qualquer coisa nos divertia, do quanto a gente vivia a nossa infância, entre pastas de amendoim com guaraná, lasanhas, vídeo-games, brigadeiros, filmes e rodas-gigantes.
Ainda tenho arquivadas na minha memória nossas conversas, programadas pra durar até meia-noite, mas que não acabavam antes de 5 horas da manhã... Lembro de todos os filmes que vimos passar...
Aliás, ainda me pergunto o que fez a gente se entender tão bem, com idades, vidas e mundos tão diferentes. Ah, sim... O que fez isso acontecer foi o nosso sangue, "já que a sequência de bases nitrogenadas do nosso DNA deve ser igual"...
Ainda acho graça das suas "confissões de adolescente"... Achava graça quando você me contava suas dúvidas, suas descobertas, suas idéias, enfim, sua vida de menino... Coisas que eu classificaria como bobas, se fossem ditas por qualquer outra pessoa, mas pra mim extremamente importantes, só porque era você que tava falando. Me dava saudade da minha adolescência, da minha época de ingenuidade infantil, mesclada com o desejo de mostrar pra todo mundo que eu já era adulta. Igual você faz.
Ainda lembro que fazia cocégas no meu coração ver o seu sorriso bobo e sua cara de orgulho quando alguém dizia que a gente era um a cara do outro. Que se fossemos nascidos da mesma mãe não pareceríamos tanto irmãos gêmeos como parecemos...
Ainda tenho uma pontinha de esperança de que esse silêncio interminável vai acabar. Ainda espero te ouvir dizer pra gente esquecer tudo que aconteceu. Estou exagerando? Não sei. Mas sei que pra você eu vou estar sempre disposta a oferecer perdão e amor. Até a pedir desculpas pelo que eu não disse e não fiz. Não significa que sou otária. Significa apenas que eu te amo. E que o amor não espera atender sempre seus próprios interesses. Acho que apenas com você entendi "que amor é esse"...

"Será que o tempo apaga o que foi dito e o que não foi?
Será que tudo mostra nosso caminho?
Mas se não for, a gente segue em frente
e o mundo olha por nós
A gente segue em frente...

E talvez, não seja assim tão fácil
Talvez, assim seja melhor
Talvez cada um reme pra um lado,
mas os mares que te cercam, talvez, sejam iguais aos meus... "

(Segue em frente - Sandy e Júnior)

sábado, 17 de maio de 2008

Em minhas mãos

"Quem entende um coração que já sofreu
com as armadilhas que a vida traz?
Quem vai se preocupar quando ouvir alguém chorar?
Afinal, problemas todo mundo tem...

Guarda o coração bem longe do olhar
para não se iludir com quem se aproximar...
As palavras podem ser, até sem parecer,
armadilhas que vão lhe fazer sofrer...

Quando um sonho se desfaz,
sei que as marcas ficarão
Mas a força de sonhar continua em suas mãos...

Sonha com um novo dia em suas mãos!
Guarda em Cristo os planos do seu coração
Ele é restaurador de corações...

Seu amor não enfraquece,
Sua força permanece.
O amor de Deus refaz o coração!"

(Em suas mãos - Cristina Mel)

Perguntas sem respostas

A solidão é fria. Ela tem feito arrepiar até o mais profundo recôndito do meu organismo. Só não é mais fria do que as pessoas. Preciso confessar que estou desenvolvendo em mim um medo: Medo do ser humano. Medo do que ele é capaz de fazer. Ou de não fazer.
Tudo que sinto nos últimos dias é um misto de solidão, espera, decepção e desilusão. E uma vontade infinita de ter alguém com quem conversar. Mas não tenho. Só tenho a companhia de mim mesma. E de Deus, claro. Não posso esquecê-lo nem por um segundo, porque certamente se não fosse Ele, há muito que eu já teria desistido.
Fico me questionando como as pessoas conseguem ser assim, tão frias e insensíveis. Tão amáveis e ao mesmo tempo, te apunhalando pelas costas. Sempre prontas a te assustar com que elas são capazes de fazer. Adianta me perguntar qual foi a parte em que eu errei? Não adianta porque não sei a resposta. Possivelmente errei em algum momento, até porque, infelizmente, também sou ser humano, mas não adianta porque não sei onde foi.
Será que é sempre assim? Será que as pessoas que eu amo têm sempre que ir embora? Elas têm sempre que me deixar, de uma forma ou de outra? Será que não tenho o direito de ter alguém presente por um pouco mais do que alguns momentos?
Existem muitas dúvidas na minha mente. Muitas vontades, muitas ações previamente planejadas. Mas não sei qual delas realizar e nem sei se alguma delas trará algum resultado. Por enquanto, fico aqui, perdida no vazio.
Foram muitas perdas, em um espaço de tempo tão curto. Foram muitos castelos, uns levaram anos pra serem construídos e foram sendo destruídos pouco a pouco. Outros foram rapidamente construídos, mas sua destruição foi igualmente breve. Alguns nem sei se posso chamar de castelos. Mas sei que as ondas vieram e destruíram todos eles. E o que sobrou? Algo que eu não sei o nome, mas sei que dói. Tudo que sei é que tenho sentido muita dor. A dor provocada pela decepção. Ou pela teimosia. Porque fui eu que nunca aprendi e sempre insisti em ir de corpo e alma em todo amor que se oferece a mim.
Encontro-me ferida. Tenho marcas não cicatrizadas que ainda sangram com frequência. Tenho lágrimas que ainda choro todos os dias, no meu cantinho, sozinha, sem ninguém ver. Às vezes (como agora) tento anunciá-las, talvez como uma forma de pedir ajuda. Mas é sempre em vão, porque em ilhas não há quem ouça. Nem mesmo os gritos mais repletos de dor.
Mas sabe de uma coisa boa no meio de tudo isso? Ainda me resta a capacidade de sonhar...
Essa capacidade nenhum ser humano, nenhuma decepção, nenhuma dor ainda conseguiu me tirar. E tenho muitos sonhos, que ainda se inflamam no meu peito. Dos menores aos maiores, quer ver?:
Sonho que um dia alguém vai ler esse blog. E quem sabe ler meu sinal de fumaça, que estou mandando aqui da minha ilha "solidão"...
Sonho que um dia, muitos dias, vou atender golfinhos, baleias, girafas, cangurus e coalas.
Sonho que um dia vou cantar até o fim. E que alguém, além de Deus, vai ouvir esse canto.
Sonho com a reconstrução de minhas duas famílias: a do passado e a do futuro. Entenda: A do passado, parte dela será reconstruída na eternidade. E a outra parte, eu creio, ainda vou ver unida aqui mesmo, nesse mundo. E a do futuro, Deus ainda me mandará alguém pra me ajudar a reconstruí-la no meu sonho e construí-la na minha realidade.
Sonho em ter as pessoas que eu amo de volta, não só perto do meu coração, mas dos meus olhos, pra sempre. Sonho voltar a receber seus abraços e seus beijos. E sonho que eles serão sinceros. Sonho um dia levar alguém pra Cristo.
Sonho em ver Ele voltar, e me chamar pelo meu nome pra ir embora pra casa.
Sonho... sonho... sonho... sonhos que não têm fim.
E essa capacidade de sonhar (que se junta à capacidade de continuar a amar mesmo quem me atirou tantas pedras, mesmo quem me fez tantas feridas) me dá força pra lutar. Me dá força pra continuar e seguir em frente. Porque foi assim que meu Pai me ensinou.
(Agora preciso voltar a uma das minhas fontes de esgotamento e cansaço... Preciso estudar. Quando der, conto uma novidade diferente dessa.)

domingo, 11 de maio de 2008

A minha mãe

"Para completar o homem, Deus a fez mulher
Mas para participar no milagre da vida, Deus a fez mãe

Para liderar uma casa, Deus a fez mulher
Mas para edificar um lar, Deus a fez mãe

Para estudar, trabalhar e competir, Deus a fez mulher
Mas para guiar a criança insegura, Deus a fez mãe

Para os desafios da sociedade, Deus a fez mulher...
Mas para o amor, a ternura e o carinho, Deus a fez mãe

Para fazer qualquer trabalho, Deus a fez mulher
Mas para embalar o berço e construir um caráter,
Deus a fez mãe

Para ser princesa, Deus a fez mulher
Mas para ser rainha, Deus a fez mãe.

Você é o mais lindo presente de Deus para mim.
Eu quero ser uma dádiva de Deus para você!"

O que mais posso fazer num dia como hoje senão agradecer? Agradecer a Deus e a você, por ter sido pela vida inteira a melhor "pãe" (pai + mãe) de todos os tempos... A que foi mãe, pai, irmã, amiga, companheira, família toda, sempre... A que estava ao lado todas as vezes que eu chorei, desde a primeira até a última. E todas as vezes que eu sorri, por quê foi se não por você estar ao meu lado? Agora mais do que nunca, somos nossa família e eu te amo com todas as minhas forças.

Feliz Dias das mães!



Amor único

Jesus preferiu morrer por mim...

... do que viver sem mim.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Gota d'água

"Por favor...
Deixe em paz meu coração
que ele é um pote até aqui de mágoa...
E qualquer desatenção, faça não...
Pode ser a gota d'água.
Pode ser a gota d'água."

(Chico Buarque)

Andando em círculos

É como se eu estivesse andando em círculos. Os passos são dados, as decisões são tomadas e no final, eu volto ao mesmo lugar de onde comecei. O medo aparece, afirmando que a culpa foi minha de ter tomado a decisão errada. E o mesmo medo me diz que eu tomei a decisão errada de novo. E eu me questiono, pois pedi tanta orientação antes de realizar uma mudança tão grande e no final, não deu em nada. E dói. Dói, porque não me curo dessa mania de mergulhar de corpo e alma em um amor que aparentemente estará ao meu lado sempre e sempre e que no fim das contas foi outra mega ilusão. Mas o que é preciso fazer pra não se iludir? Como não acreditar em palavras e momentos tão doces, como não acreditar que o sonho virou realidade e fez a realidade virar sonho, como não planejar essa presença tão meiga em todo o meu futuro? E de repente, você vê o objeto alvo do seu amor, da sua vontade de cuidar pra sempre, aquele que um dia você gentilmente consolava em seu colo, aquele que um dia brincava de ser criança com você (pra recuperar o tempo que não tivemos juntos na nossa infância verdadeira), aquele que, junto com você, afirmava uma amizade eterna... De repente, você chega e ouve esse, esse mesmo, falando mal de você atrás de uma porta, interpretando do jeito dele uma história que ele sabe que não foi assim que aconteceu... De repente eu vejo esse mesmo ser se transformar em alguém que eu não conhecia... A onda calma e suave da beira do mar de repente se torna uma cruel, violenta e forte onda que com alguns simples gestos, te afoga. Afoga seu sonho, seus sorrisos, suas expectativas. Tudo.
Junto os cacos de mim, cato-os do chão, como já estou acostumada a fazer e levanto a cabeça, tentando seguir em frente. Não derramo lágrimas, mas não porque não quero. Mas porque em certas ocasiões, elas secam dos meus olhos, simplesmente se esgotam. E leva tempo pra serem novamente feitas.

"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."

(Cecília Meirelles)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

De volta

"Eu cheguei em frente ao portão,
meu cachorro me sorriu latindo...
Minhas malas coloquei no chão, eu voltei...
Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei, eu voltei...

Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar!
Eu voltei pras coisas que eu deixei...

Fui abrindo a porta devagar, mas deixei a luz entrar primeiro
Todo meu passado iluminei e entrei
Meu retrato ainda na parede, meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei e falei:

Onde andei não deu para ficar,
porque aqui, aqui é o meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei!"

Que abraço...

O que faço depois de um abraço como esse? Desses que dá vontade de não acabar nunca mais... Desses que aparecem no meio da sua tarde como um presente, pra aliviar as tensões do dia, como se o dono dos braços estivesse até adivinhando o dia péssimo que você está tendo...


"... you're so pretty, can't you understand? You take me by the heart when you take me by the hand..."

Dá-me filhos

Ontem fui passear numa feira de bebês e gestantes. E como essa é a semana das restaurações, lá reacendeu um sonho antigo... O sonho que sempre queimou por dentro de ansiedade de realizar... O sonho de olhar nos olhos de alguém que te aguarda pra você cuidar, pra você ensinar, pra você conduzir, como um anjo. O sonho de levar dentro de si a vida, por nove doces meses... de segurar no colo o fruto de algum amor puro e sincero, que eu também sonho em encontrar um dia desses. Sonho de deixar no mundo a continuidade de mim. Viver a magia de se ver em outro alguém, que vai andar nos mesmos passos... a quase oportunidade de viver outra vez. Ah, como eu quero... abraçar esses bebês gêmeos que há muito já existem no mundo do faz-de-conta que eu guardo na mente. Só falta existirem nesse mundo real.

"Dá-me filhos, dá-me filhos,
dá-me filhos se não morro...

Foi o clamor de uma mulher,
o seu nome era Raquel,
tinha tudo que qualquer pessoa quer
mas lhe faltava um algo mais
e adorando a Ti, oh Deus,
foi ouvida e o milagre aconteceu
(...)
Foi o clamor de Abraão,
Tu vieste ao seu encontro
e lhe deste uma promessa ao coração
É o clamor que há em nós,
recebendo o seu chamado e obedecendo a Sua voz..."

(Dá-me filhos - Fernanda Brum)

Ouçam essa música pra ter noção de como ela é perfeita!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Você existe, eu sei

"Há tanto tempo venho procurando, venho te chamando
Você existe, eu sei...
Em algum lugar do mundo você vive,
vive como eu,
onde eu ainda não fui...

Como é o seu rosto?
Qual é o gosto que eu nunca senti?
Qual é o seu telefone?
Qual é o nome que eu nunca chamei?

Se eu esbarrei na rua com você
e não te vi, meu amor,
como poderia saber?

Tanta gente que eu conheci,
não me encontrei só me perdi...
Amo o que eu não sei de você

Sei que você pode estar me ouvindo
ou pode até estar dormindo,
do acaso eu não sei...
Talvez veja o futuro em seus olhos,
pelo seu jeito de me olhar,
Como reconhecerei você??

Você existe, você existe, eu sei..."

(Você existe, eu sei - Biquíni Cavadão)

Declaração de um ser racional

Seres racionais são os que afirmam que não é necessário fazer uma cirurgia para prevenir uma doença num animal, pois com ou sem cirurgia, ele só dura 15 anos mesmo... O mesmo ser racional também afirma que tem mesmo é que acabar com uma raça de cachorro porque ELA ATACA CRIANÇAS E PESSOAS (??) Vamos acabar com a raça humana, então! Porque um rotweiller ataca mesmo, mas quando o ser racional que é responsável por ele permite, não tomando as devidas precauções... E o ser humano, ataca porque mesmo??
Seres racionais somos nós, que esgotamos os recursos do planeta em troca de lucros e depois lamentamos, como se não pudéssemos fazer nada pra evitar...
Seres racionais somos nós que deixamos nossos irmãos morrerem de fome enquanto ficamos doentes por excesso de comida...
Seres racionais somos nós, que usamos a natureza como bem entendemos, sem respeitar suas limitações, só porque achamos que somos superiores, sendo que fomos criados do mesmo pó que todo o resto.
É, eles que são irracionais, pois são eles que só matam se estiverem COM FOME, ou se NÃO PUDEREM CONTROLAR SEU INSTINTO, pois não são dotados de raciocínio (pelo menos é o que dizem, não é?).
Irracionais são eles que vivem em harmonia e respeito com seus semelhantes, ao contrário dos racionais que fazem guerras, que sequestram, que assassinam, que enganam, mentem, não importando sequer se é da família ou não.
Seres irracionais pedem socorro com o olhar, mas quem somos nós, racionais, para socorrê-los, se não somos capazes de estender a mão nem mesmo para quem consideramos racionais como nós?

Restaurando sonhos

"Se tentaram matar os seus sonhos, sufocando o seu coração,
se lançaram você numa cova e, ferido, perdeu a visão...

Não desista, não pare de crer,
os sonhos de Deus jamais vão morrer...
Não desista, não pare de lutar, não pare de adorar
Levanta seus olhos e vê:
Deus está restaurando os seus sonhos e a sua visão!!

Recebe a cura, recebe a unção, unção de ousadia,
unção de conquista, unção de multiplicação!!"

(Sonhos de Deus - Ludmila Ferber)

Ele me ensinou a esperar Dele. Não esperar nada das pessoas. Não fazer nada em função do que as pessoas fazem por você. Porque elas não fazem nada mesmo. Elas simplesmente não se importam. Mas o que isso importa, quando você tem Alguém que faz tudo por você, mesmo quando você menos merece? Alguém que te diz palavras tão lindas como essas quando você se sente no mais fundo da "cova" e sem ninguém a fim de ouvir seu grito de socorro?!
Ele fez uma promessa. Ele me entregou a restauração. As restaurações. Ele me devolveu o sonho, a esperança, e consequentemente, a vontade de orar, pedindo pela realização do sonho, que até então, aparentemente tinha morrido. Esse sonho ainda não sei quando vai chegar. Mas sei que vai chegar.
O outro sonho se realizará em breve. Dentro de alguns meses, pois acabei de dar o primeiro passo, o da ousadia. As lágrimas não foram de tristeza, nem de emoção. Foram de vitória.

domingo, 4 de maio de 2008

Somewhere over the rainbow

"Somewhere over the rainbow
way up high
There's a land that I heard of
once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Skies are blue
and the dreams that you dare to dream
really do come true

Some day I'll wish upon a star
and wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemondrops
Away above the chimney tops
that's where you'll find me

Somewhere over the rainbow
bluebirds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why can't I??"


Não há lugar como nosso lar

Os dias lá em Niterói me fazem sentir como a Dorothy, de fato... Ela tinha toda razão e hoje concordo com ela... "Não há lugar como nosso lar"... Não há lugar como a cama quentinha e aconchegante da mamãe, não há nada como a comida fresquinha e do jeito que a gente gosta, feita com todo carinho por mãos que conhecem bem o gosto do que te agrada... Não há dias como os que você passa no seu ninho... Onde há abrigo, proteção, colo... Finais de semana e feriados agora são pra mim o meu "somewhere over the rainbow", são meus dias de silêncio, sossego e refúgio... E como dói cada fim de tarde de domingo...
Enfim, como o pássaro precisa sair do ninho pra alçar vôos mais altos, lá vou eu seguir minha estrada de tijolos amarelos rumo à cidade-sorriso...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O lugar...

... onde eu mais cresci, mais aprendi, mais amei, me estressei, onde tive minhas primeiras decepções, minhas primeiras paixões, minhas melhores amizades, meus melhores momentos... O lugar que fez "meu passo constante e seguro, rasgando estradas de luz na amplidão..." Foi lá... que eu passei os 7 melhores anos da minha vida... Lá que eu vivi as sensações que vou carregar comigo pro resto da vida... Lá que eu conheci as pessoas mais inesquecíveis... Lá que eu construí um corpo humano, lá que - em  peças de teatro várias - eu fui uma anjinha, uma bruxa, um padre, escritora, dançarina, a Branca de Neve, uma dama do século XIX, entre tantas outras vidas que vivi nesse lugar... Foi lá que me transformei em quem eu quisesse ser... Foi esse o lugar que me pertenceu tanto, que me desenhou em sua parede, em forma de um azulejo ao contrário... Foi o lugar que me deu a oportunidade de, atrás das suas grades azuis, me sentir segura pra viajar pelo mundo inteiro... Viagens dentro dos livros, das peças de teatro, das entrevistas, das pesquisas, ou mesmo dentro dos ônibus, dos carros, navios, cometas, das ladeiras que subi e desci, viagens de todos os tipos...
Que outro lugar me daria tantas oportunidades de emoção?
Que outras pessoas marcariam tanto meu coração?
Que outro lugar me faria catar gotinhas de chuva pra uma reação química descoberta em cima da hora?
Que outro lugar me faria encontrar olhos verdes que olhassem fundo nos meus olhos, enquanto seu respectivo dono (tão admirado e respeitado por mim e pra quem eu achava que não era ninguém) assumia: "Mas você é capaz... Eu acredito em você"... E depois, as tais palavras que ele disse, de fato, se concretizaram...
Que outro lugar me ensinaria a sonhar, a buscar, a lutar e ter garra... Que outro lugar me preparou pra ir pro mundo, quando ele cresceu, e tentar conquistar meu lugarzinho nele?
Em que outro colégio você não encontraria salas de aula, professores e alunos, encontraria sim uma casa e uma família?
Acho que ainda não encontrei, em minha vida, algo que me enchesse tanto de saudade quanto esse lugar...
E como não posso falar muito de lá, porque mesmo tendo se passado 4 anos sem essa "fantasia" que é a vida de aluno do Colégio Pedro II, eu ainda choro se lembrar muito... Então, deixo pras fotos e as canções falarem por mim:
Aí estão os "soldados da ciência"...


"... São momentos que eu não esqueci, detalhes de uma vida, histórias que eu contei aqui..."

"...amigos eu ganhei, saudades eu senti partindo, e às vezes eu deixei você me ver chorar sorrindo..."

"...Nós sentimos no peito o desejo de crescer, de lutar, de subir... de buscar, de alcançar... "

"Nós levamos nas mãos o futuro de uma grande e brilhante nação..."
"... Mas para meu desencanto o que era doce acabou, tudo tomou seu lugar depois que a banda passou... E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor depois da banda passar, cantando coisas de amor..."

"... a gente estancou de repente, ou foi o mundo, então, que cresceu?"
"Galerinha, o mundo cresceu..." - Ouvi essa frase no último dia desse sonho... E ela ressoa nos meus ouvidos, me arrepiando, até hoje...

"...O samba, a viola, a roseira um dia a fogueira queimou... foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou... No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar, mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade pra lá ... Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião... O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração... "
 "Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim, pra lá desse quintal, era uma noite que não tem mais fim, pois você sumiu no mundo sem me avisar e agora eu era um louco a perguntar: O que é que a vida vai fazer de mim??"

- Citações: Hino do Colégio Pedro II - letra de Hamilton Elia; Emoções - Roberto Carlos; A banda - Chico Buarque; Roda Viva - Chico Buarque; João e Maria - Chico Buarque -

Duas almas bem gêmeas

"Simpatia - é o sentimento
que nasce num só momento,
sincero, no coração;
São dois olhares acesos
bem juntos, unidos, presos
numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
banhados de bons orvalhos
nas
mangueiras do jardim;

Bem longe às vezes nascidos,
mas que se juntam crescidos
e que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
que riem no mesmo riso,
que choram nos mesmos ais;

são vozes de dois amantes,
duas liras semelhantes,
ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
é o canto do passarinho,
é o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'Agosto,
é o que m'inspira teu rosto...
Simpatia - é quase amor!"


(Casimiro de Abreu)

Foi assim... Arredondando os desencontros, 17 anos... 17 anos de encontros espaçados e desencontrados... 17 anos sem sequer perceber como duas vidas puderam ser tão iguais, mesmo tão distantes... 17 anos vivendo as mesmas situações, sofrendo pelos mesmos problemas, partilhando das mesmas opiniões, dos mesmos gostos, sorrindo pelas mesmas alegrias, sonhando os mesmos sonhos, ouvindo as mesmas músicas... Mas cada um de lado, e bem longe um do outro...
Mas duas vidas tão ligadas, duas metades da mesma cara, dois caminhos tão estritamente paralelos não podiam deixar de se cruzar mais cedo ou mais tarde... Foi preciso que um outro casal de irmãos aí resolvesse se separar, pra que esses irmãos daqui resolvessem ir juntos assistir os últimos momentos antes da tal separação... Coincidências à parte, também foi depois de 17 anos que eles tomaram a decisão... E aí, acho que cada letra de cada música que tocava se encaixava tão perfeitamente bem em tudo que os dois viveram, cada um no seu canto, que não teve jeito, e os quatro destinos se encontraram de uma vez...
Os dois irmãos que estavam se despedindo cantaram a história, e os dois irmãos que estavam ouvindo, agora estão vivendo a história... E juntos, dessa vez, pra sempre.
E agora não tem volta... Ele é meu "meio-irmão" que na verdade é meu irmão gêmeo, só que nascido 4 anos depois e de outra mãe; e a gente deixa todo mundo falar o que quiser, porque nada vai ser mais forte do que 17 anos de distância... E se eles não conseguiram destruir o amor que a gente sempre teve um pelo outro, mesmo sem saber, nada mais vai conseguir...
Ah, esses aí foram "os culpados":



=> "contam nossa história, de tristezas e glórias,
o poema mais bonito que eu já li..."

(Tudo pra você - Sandy & Júnior)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

As metades de mim

"Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio...
Que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que triste...
Que quem eu amo seja pra sempre amado,
mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas
como a única coisa que resta a um homem
inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo...

 Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável...
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."

(Esse texto é do Oswaldo Montenegro... Qualquer semelhança é mera coincidência...)