"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Convicção

"Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti."

(Rute 1.16-17)

P.S.: Um dia vocês ainda vão ler isso num convite de casamento muito especial.

domingo, 18 de outubro de 2009

Sobre grandes amigos e eventuais despedidas

"A gente já pulou, brincou
Ficamos juntos dia a dia
A gente se multiplicou e dividimos alegria
.
A gente sabe que viver
é muito mais que uma aventura
A gente sabe que vencer
é pra quem sonha e quem procura
.
A gente brinca de esconder
Nem sempre a gente faz de conta
Um dia a gente vai crescer
e do mundo a gente toma conta
.
A gente quer o azul do céu
e o sol brilhando com certeza!!
A gente quer da vida o mel,
tão puro feito a natureza..."

Encontrarmo-nos depois de mais um dia nessa doce rotina e pensar na possível despedida não é nunca um processo fácil. Rotina que decidimos mudar: Optamos por sermos mais do que colegas de faculdade. Somos uma família. Irmãos e irmãs que vivem junto, se dando bem. Assistimos aulas, estudamos até tarde nas vésperas das provas, viajamos pra tudo quanto é canto, vamos à padaria, ao supermercado, à praia, à festa... Juntos. Cozinhamos, inventamos nomes para as pizzas, fazemos reuniões, compramos presentes nos aniversários e organizamos festas surpresa... Juntos. Irmãos: acordam juntos, fazem suas refeições juntos, brincam juntos até de madrugada e dormem juntos quando, exaustos de tanta alegria, vão sonhar com os dias que viveram. Um do lado do outro. Sempre juntos. E nesse meio tempo vamos nos surpreendendo com o quanto somos iguais. Mesmos ideais, sendo apenas buscados por caminhos diferentes. Mesmos gostos. Mesma voz. Opiniões, nem se fala. Quando divergem, nunca se ouve falar de brigas. Apenas há o respeito. Muito respeito. Iguais e unidos... suspiramos pelo pôr-do-sol, dançamos com a chuva, sonhamos com o futuro de dias melhores. Vibramos pelo nascer do sol. Amamos a madrugada. Falamos em coro muitas de nossas frases. E paramos pra pensar na mudança que está próxima... Despir as amizades, e despojarmo-nos de um pouco de nós próprios, em cada amigo que sentimos que precisa se afastar nessa mudança forçada que não se escolheu. É das partes mais dolorosas do processo. Custa separar, dizer adeus, ou um 'até já' que seja. Sabemos que esse 'até já' nunca mais será o mesmo. Nunca será verdadeiro. No meio desse processo, às vezes poderemos reencontrar amigos que tínhamos dado como perdidos, ou que achávamos que nos tinham esquecido. E aos poucos a vida dará sinal de se ir refazendo, aos poucos, um passo de cada vez. Pequenos sinais que vamos agarrando de que há um mundo inteiro lá fora à espera de ser consumido. Mas os amigos... ainda assim, custa deixá-los para trás, perdidos que ficaram nas malhas que em nós próprios nos enrolamos. Fica sempre uma saudade que tem um estranho sabor de "ainda nos faltou viver tanto".

P.S.: Pelo maravilhoso fim de semana com vocês. Pelo tempo que perdi não vivendo essa amizade. Pelas mudanças que se aproximam mas que não vão mudar nada pra gente. Porque vocês fazem da minha vida um jardim. Todos os dias.

Esse post é só pros 9! (a família-de-melhores-amigos que a Vet UFF fez o favor de unir!) ... e que já estão se multiplicando tanto que nem sei mais... rs. Nós 10 mais os recém-chegados, e os agregados. Pronto. Esse post é pra vocês!
(Música: "É tão bom - Paquitas".
Alguns trechos do texto são adaptados de: Estado líquido)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Striptease

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez.
Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás.
Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".
Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua...
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".
E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
(Martha Medeiros)

P.S.: Mas não se engane. A maioria dos homens quando ouve palavras como essas, sabe o que faz? Fogem. Pro mais longe que puderem. Tristeza Experiência própria.