"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dentro dos seus olhos, meu espelho.

É curioso olhar nesses intrigantes olhos castanho-escuros que um dia já choraram por mim... E não te reconhecer mais...
Olhos que eu um dia já entendi tão bem, mesmo com todas as luzes apagadas.
É estranho ver que eles permanecem fixos em mim enquanto vão pouco a pouco se afastando... Fixos em mim, mas indo cada vez mais longe...
Curioso te ouvir dizer que esteve pensando em mim... Se pensas em mim, por que foges quando eu me aproximo?
Perceber sua falta de consideração e sua indiferença me entristece... Entender que você não é capaz de valorizar sentimento tão nobre e raro como esse que carrego no peito, me entristece...
Não ter sua amizade me entristece.
Sim, porque não peço mais nada além disso. Só queria seu carinho em forma de amizade: longas conversas de telefone pela madrugada, pedidos de ajuda sem nexo, só pra nos certificarmos de que sempre poderíamos contar um com o outro, e-mails recheados de bons conselhos, orações, desabafos e seu apoio em forma de uma canção dedilhada no seu violão, no sofá da minha casa.
Só queria você brincando com os ursos de pelúcia em cima da minha cama, só queria você acabando com as batatas fritas e os brigadeiros no jantar.
Só queria entrelaçar seus dedos nos meus e segurar sua mão, enquanto o filme era triste na tela do cinema.
Só queria sua amizade, seu abraço de braços fortes, seu sorriso de menino acordando minha euforia adormecida, que ressurge instantânea ao toque desse sorriso.
Só queria voltar a ser sua pequena, sua irmã mais nova, e ser chamada dessa forma como só você me chama.
Talvez o meu erro seja te idealizar demais, mas o que posso fazer? Você é o meu ideal, desde quando eu era adolescente...
Éramos adolescentes, brincávamos juntos em outro idioma. A amizade que nascia e tomava proporções gigantes nos intervalos (ou no meio das aulas mesmo, já que nunca prestávamos atenção em nada ao nosso redor) era muito mais valiosa do que as aulas de inglês.
E hoje ela está morta. Porque quando ela quis seguir seu rumo em direção ao amor, não soubemos o que fazer. Você fugiu, o caminho mais fácil. E eu me desesperei e te assustei ainda mais...
Você acha que eu confundo tudo, mas não há confusão mais óbvia e mais bonita do que a da amizade com o amor. Nada mais compreensível do que desejar que uma amizade sólida se torne base pro amor que a vida inteira procuramos.
Mas dentro de mim, eu já consigo vislumbrar de novo algo mais nobre do que as nossas confusões: essa preciosa amizade.
Será que você não entende que é só ela que eu quero resgatar?
Como eu te disse, você não cresce... Mas acho que prefiro você assim: um menino, que brinca na hora errada e na hora certa; que fala sério na hora errada e na hora certa... O menino com quem eu nunca consigo acertar os ponteiros, mas com quem as horas sempre passam mais precisas.
Não precisa ter medo... Nunca mais vou forçar nada que não seja desejado por nós dois.
Perca o medo de ser novamente meu gigante com coração de menino.
Perca o medo do meu amor, porque eu só vou te dar o que você suportar receber.
Perca o medo, eu preciso da sua alegria colorindo minha existência.

sábado, 5 de junho de 2010

Sobre renúncias

Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço.
Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente.
É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto.
É, de repente, tudo tão subitamente anoitecido e sem previsões de dia novo.
É um caminhar lento e arrastado, numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível.

É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, com tanto esforço.
E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse.

Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado:
Muda-se a auto-imagem. Alegrias ficam suspensas. Sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias.

Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa.
É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em beleza.

E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão.

E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...
Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão:
“Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”
(Marla de Queiroz)
P.S.: Interessante como a gente às vezes vê a nossa vida escrita por aí... Hoje li esse texto num blog. E não há número capaz de mensurar o quanto me identifiquei. Entendi a intensidade da minha decisão. E não me arrependo. Pois Àquele por quem eu renunciei um sentimento que não O agradava, renunciou a própria vida por mim. Ele é digno de que eu abra mão de todos os meus sonhos, se for necessário, por amor a Ele. A vitória começa na cruz. E cruz é renúncia.
"Se quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me."
Eu decidi segui-Lo. Não importa o preço.
E o mais maravilhoso é Ele o tempo todo a me lembrar que vai me ajudar a reconstruir meu futuro, vai restaurar tudo, de uma forma mais linda do que qualquer coisa que eu seja capaz de imaginar.
("Ela não queria construir a felicidade dela em cima da infelicidade de outra pessoa.")