"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os corações não são iguais

"Você tem o tempo que quiser
De você aceito o que vier,
menos solidão

Me promete tudo outra vez,
na esperança louca de um talvez
Me basta a ilusão

Só te peço o brilho de um luar
Eu só quero um sonho pra sonhar
Um lugar pra mim

Eu só quero um tema pra viver
Versos de um poema pra dizer
que eu te aceito assim...

O que eu sei é que jamais vou te esquecer
Eu me agarro nessas fantasias pra sobreviver
Eu não sei se estou vivendo de emoção
mas invento você todo dia pro meu coração...


Deixe saudade e nada mais
Por que é que os corações não são iguais?
Diga que um dia vai voltar
Pra que eu passe a minha vida inteira te esperando..."


P.S.: Se um coração diz que sim à paixão, como pode o outro dizer não?

- Os corações não são iguais / Roupa Nova; A lenda / Sandy  & Júnior -

Só o impossível me importa

"Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
e acontecer de ser você...
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão

E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira...
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
E além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer..."

- Se tudo pode acontecer; Arnaldo Antunes -

Cartas com o olhar

"Eu já não sei respirar quando estou ao lado seu
Você é aquele escondido nas letras de tantas canções
Deste lado do rio eu posso ver tudo o que é seu:
Delicadeza e mistério que nem você percebeu

Quero chamar sua atenção com as pausas do meu violão
Leio o seu nome nas águas do amor que correm a deslizar
Se eu não consigo dizer, eu só posso escrever cartas com o olhar...

Se eu arrisco a dizer, agora que estás comigo,
é um novo modo de ser
Tu que acolhes o meu coração sem fazer clamor

Deste lado do rio cada coisa é mais fácil
As mãos escorrem livres sobre ti
Tu que suspendes a respiração pela minha canção

Agora que escrevo o teu nome sobre a água do rio
Tu não és uma primavera, não és uma noite
Porque abro os olhos e te encontro ainda?"

- Cartas com o olhar; Ana Carolina -

P.S.: Porque só você conseguiu ler as cartas que estavam escritas no meu olhar... E agora você sabe que eram todas pra você.

sábado, 13 de dezembro de 2008

À primeira vista


"Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei..."

- À primeira vista/Composição: Chico César -

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Queime depois de ler*

"There's a girl in my mirror
I wonder who she is
Sometimes I think I know her
Sometimes I really wish I did

There's a story in her eyes
lullabies and goodbyes

When she's looking back at me

I can tell her heart is broken easily...

'Cause the girl in my mirror
is crying tonight
and there's nothing I can tell her
to make her feel alright

The girl in my mirror
is crying 'cause of you
and I wish there was something
something I could do
The pain that she's feeling
the sense of loneliness will fade
So dry your tears and rest assured
Love will find you like before
but when she's looking back at me
I know nothing really works that easily... "
Se eu pudesse, falaria, ou melhor, escreveria, escreveria, escreveria... Até fazer essa garota com canções de ninar e despedidas nos olhos parar de embaçá-los com tantas lágrimas, porque até ela mesma desconhece o motivo pro choro ter surgido tão repentinamente ao se dar conta da sua ausência. Aliás, ela sabe o motivo e se assusta com ele.
Mas você sabe o endereço do blog, embora eu não acredite que você apareça muito por aqui. E é o único que não pode saber que "você" é exatamente o motivo, o assunto, a dor, a paixão inesperada, indesejada e inevitável, a ansiedade, o sonho, todas as músicas, todos os sorrisos, a gargalhada, a espera que cansa, mas que por você posso agüentar.
Você é o único que não pode ouvir nada disso. Porque você tem o que eu sempre procurei; o que eu nunca encontrei em nenhum outro olhar; o que eu nunca senti ao beijar nenhum outro sorriso antes do seu. Porque dentro dos seus olhos está o meu espelho. Eu ouço a minha história quando você me conta a sua. E a cada vez que a gente encaixa nossas mãos, é como se a minha vida se encaixasse perfeitamente na sua.
Se você quisesse, eu te incluiria como personagem da minha história. Você seria o príncipe encantado, aquele que eu achava que não existia na vida real, até você me beijar de surpresa. Mas você não quer saber de nada disso. E essa espera por você é, ao mesmo tempo, tão suave e tão desesperadora. Eu aguardo você voltar do seu passado e se dar conta do presente que arde bem a sua frente, e que quer te dar um futuro feliz, bem diferente da solidão que você carrega ao se prender aos seus yesterdays.
Eu sei que você não me autorizou a sentir nada disso. Você não me deu nenhum sinal de esperança. Não posso te culpar por toda essa tristeza. A culpa é toda minha e eu assumo. Culpa gostosa de se assumir, de gritar aos quatro ventos, de escrever na areia da praia, de publicar na internet, que foi inevitável me entregar a sua doçura, ao seu encanto e a essa sensação que até então eu não conhecia.
"... e sem contar os dias que me faz morrer, sem saber de ti, jogada à solidão... Mas se quer saber se eu quero outra vida? Não, não... Eu quero mesmo é viver pra esperar, esperar você."
E eu me obrigo a parar de escrever aqui, não que o que eu tenha pra te falar seja tão pouco. Você me diz saber que há algo escrito em meus olhos, uma monografia, e quando você me pede pra falar o que é e eu me calo, suponho que você pense que é porque não tenho nada a dizer. É exatamente o contrário, me calo por ter um infinito de palavras, emoções e sentimentos pra te entregar. Mas você não pode e nem quer saber. E, infelizmente, você disse que ficou viciado nesse blog, apesar de eu não acreditar mais em você.
*É o título de um filme, que eu não assisti e portanto, não sei se é bom. Mas é um título bem adequado a essa postagem.
-Citações: Girl in the mirror/Britney Spears; Eu te devoro/Djavan-

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Monografia

"... teu olhar não me diz exato quem tu és,
mesmo assim, eu te devoro."

"(...) São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus
Quanto mistério
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus (...)"*
"(...) Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros
Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranqüilos
Às vezes vulcão!
(...)
Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram sem causa
Um pranto sem dor

Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia
Que falam de amores com tanta poesia
Com tanto pudor

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão."**
*Poema aos olhos da amada - Vinícius de Morais
**Seus olhos - Gonçalves Dias
("Um dia pra esses olhos sem te ver
é como chão no mar...
Luz dos olhos,
para anoitecer é só você se afastar.")
P.S.: Post criado após um belíssimo pôr-do-sol em frente ao mar: Eu aplaudindo sozinha a cor-de-rosa do céu, e o mar agitando-se pra misturar suas gotas com minhas lágrimas, enquanto a fúria das ondas se misturava com a minha fuga.

-Citações: Eu te devoro/Djavan; Luz dos olhos/Nando Reis -

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Amor e medo

"Quando eu te vejo e me desvio cauto
da luz de fogo que te cerca, oh bela
Contigo dizes, suspirando amores:
- 'Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!'

Como te enganas! Meu amor é chama
que se alimenta no voraz segredo
E se de ti fujo é que te adoro louco
És bela, eu - moço; tens amor, eu - medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes
Das folhas secas, do chorar das fontes
Das horas longas a correr velozes
(...)

Oh! Não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela, eu - moço; tens amor, eu - medo..."

(Casimiro de Abreu)

P.S.: De vez em quando é bom mentir pro coração...

sábado, 29 de novembro de 2008

Na letra da música

Lá fora, o orvalho frio das 3 horas do meio da noite. E eles, de repente, pausaram os beijos e entraram numa conversa daquelas em que as palavras têm que se esforçar pra conseguir sair de forma a dizer de fato o que se pensa... E havia muita coisa a ser dita, mas supostamente, a maior parte delas ficou subentendida no jeito que ele olhava pra ela, e ela somente retribuía o olhar.
Talvez não tenham dito tudo que um dos dois, ou ambos, queriam ouvir. Mas só a sinceridade da conversa bastava naquele momento. (E eu sei muito bem que é cedo demais pra começar a colecionar tantos pensamentos, palavras, músicas, poesias, desejos, sentimentos e reticências a respeito do assunto. Mas pro músculo que bate involuntariamente - o meu mais do que o normal, particularmente - já é tarde demais.*)
Possivelmente, no fundo dos quatro olhos castanhos, havia muitas histórias, e nelas o passado gritava com o futuro, numa guerra furiosa, que embaçava o presente e ninguém sabia qual deles iria vencer. Mas não havia forma de exteriorizar nada disso com palavras, o que tornava a conversa aparentemente simples, embora eles soubessem que não era.
E então, "por acaso", a jukebox ao lado começou a tocar uma música. E se ela pudesse falar, tudo que ela queria dizer estava ali, na letra daquela música. Nem se ela tivesse ficado a noite inteira pensando, teria encontrado palavras que se encaixavam tão bem em tudo que se passava na sua mente silenciosa.
"Bem oportuno" - pensou. Sabia que era difícil ele estar prestando atenção. Mas ela preferia assim. Ela sabia esperar. (Custou, mas ela finalmente aprendeu a esperar pelas coisas que ela queria muito.)

"Quis evitar teus olhos, mas não pude reagir
Fico à vontade, então
Acho que é bobagem a mania de fingir,
negando a intenção
E quando um certo alguém
cruzou o teu caminho e te mudou a direção...
Chego a ficar sem jeito,
mas não deixo de seguir a tua aparição
Quando um certo alguém
desperta um sentimento
é melhor não resistir
e se entregar
Me dê a mão, vem ser a minha estrela
Complicação tão fácil de entender
Vamos dançar, luzir a madrugada
Inspiração pra tudo que eu viver
Quando um certo alguém
cruzou o teu caminho
é melhor não resistir e se entregar..."

P.S.: Qualquer semelhança com a realidade não passa de mera coincidência.
P.S. II: Thanks, Lulu Santos!
* ... e então, ela finalmente compreendeu que não dava pra imaginar o quanto é cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais. (Assim mesmo, sem concordância entre os tempos verbais.)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Desencontro

Porque você anda por onde eu não vou?
Porque você olha pra onde eu não ando?
Porque nossos caminhos sempre estão paralelos
e a gente nunca se encontra?

Porque a rua que você pega
não se cruza com a que eu estou?
Porque a aula que você assiste eu falto
e a aula que eu vou
você já assistiu no dia que eu faltei?

Porque quando eu chego
você já foi embora
e quando você está, eu não posso esperar

Porque quando eu decido falar
você não aparece
e quando você aparece eu mal consigo respirar


Porque desço do ônibus todo dia
em frente à sua porta
Mas nessa hora você nunca sai de casa

Porque, se nem nossos pensamentos
estão sintonizados,
que somente neles
eu consigo te encontrar?

Fernanda Maria

( "Porque é que você olha para onde eu não ando? Porque é que você anda para onde eu não vejo? ... Onde fica a tua casa, porque é que eu não acho? O que é que eu não ganho? Como é que eu vou embora??

O que é que eu digo agora quando eu vou te ligar? Quantas vezes eu pensei... Porque você não vem me chamar?...")

- Como é que eu vou embora, Kid Abelha -

domingo, 2 de novembro de 2008

Só por um momento

Alivia o latejar das minhas feridas,
segura minhas mãos,
leva meu jantar e meu café da manhã na cama,
coloca na tela do computador o meu tipo de filme preferido (sei que você não sabia disso),
eu deixo de lado todos os meus príncipios,

amassa com seu abraço a camisa verde e velha que você me emprestou,
não me faça nenhuma promessa,
não espero nada pro futuro que acontecerá depois desse momento,
conte-me tuas histórias,
insiste que quer me ouvir,
que eu te conto as minhas,
dança comigo no final da festa,

anda abraçado comigo pelas ruas, no fim da madrugada,
desata os nós que amarram meu coração,

me faz sentir que alguém me quer (só por um momento),
toma conta de mim, mesmo depois da meia-noite,
vamos viver a conclusão dessa amizade instantânea,
deixa que teus olhos me digam
que podes me fazer alcançar o pouco
que eu nunca quis,
mas que agora, preciso,
canta as músicas que me fazem vibrar,
(e as letras que me deixam sem reação),

canta baixinho no meu ouvido,
no "segundo que antecede o beijo",
suspira,

assiste comigo o sol nascendo silencioso, clareando o quarto,
dorme comigo até tarde,
esquece do trabalho (só por hoje),

viajas pra longe, vai pra tua casa (mas volta),
aperta teu peito contra o meu,
deixa que eu sinta tua barba cheia de falhas,
deixa que meu cabelo escuro acaricie tuas costas,

meu cabelo grande amou visitar tua boca,
amou sentir teus dedos acariciando-o,
permite que eu entre no teu mundo (só por hoje),

porque depois o que me restará será um fim de semana
inteiro de pensamentos totalmente em você,
sorria ao dizer pra mim que esse momento foi muito bom,

porque foi bom pra nós dois,
deita no meu ombro pra gente cochilar,

intercalando nosso sono com nossos beijos,
faz o que quiseres,
porque sei que respeitas meus limites,
Só não deixa nossa amizade acabar
tão instantaneamente quanto começou.

"Adoro um amor inventado"

- Citações: Cuide bem do seu amor - Paralamas do Sucesso; Exagerado - Cazuza -

Obs: Esse post é uma adaptação minha de um post que você pode ler aqui (Blog "Persona non grata") -

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Meu bem maior

Eu tinha pedido pra Ele dizer que me ama...
"Eis que nas palmas das minhas mãos te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim. Conheço teu medo, a tua felicidade e os teus sonhos. Conheço tua estrada, e sei exatamente o teu destino. Conheço-te por dentro, e sem que tu tenhas que me pedir, Eu entendo o que tu queres, conheço o teu sorriso e sei tudo que está dentro do teu coração. Conheço e te reconheço em qualquer lugar; Sei do teu amor, da tua saudade, dos sonhos que movimentam a tua vida e da esperança que te faz lutar. Amo-te pelo que tu és, e para mim, és um ser valioso. Amo-te, mesmo quando perdes a confiança em Mim. Amo-te, mesmo sem saberes; Acompanho-te desde sempre! Estou ao teu lado mesmo quando pensas que te abandonei. Vibro em cada minuto da tua felicidade. Choro com cada lágrima tua caída. Sofro com toda a tua dor e te estendo as mãos a todo momento, embora muitas vezes teimes em não me pedir ajuda. Mesmo assim, continuo a te proteger. Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus."

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sempre acaba

E também quem disse que eu poderia me iludir por mais tempo?

Esse foi apenas mais um "pra sempre" que acabou.
E seguir em frente é o que, mais uma vez, me resta...

Mas dessa vez, com algo diferente em mim.
Suspeito ser aquilo que costumam chamar de força.
Hoje eu sigo assim,
sem soluçar,
com o coração amarrado com cordas que o apertam,
mas não o fazem sufocar.

Hoje esse coração, depois de muitas lições,
aprendeu que a ferida nova logo vai cicatrizar,
as outras cicatrizaram...
Esse coração sabe que foi deixado pra trás,
mas também sabe que quem escolheu a opção de deixá-lo de lado,
de não seguir com ele o mesmo caminho,
tomou sua decisão. Ele não se sente culpado, afinal.

Ele não está sozinho.
Ele terá seus pedacinhos restaurados com argamassa colorida! (Isaías 54.11)

Montanha-russa agridoce

Não me pergunte por quê. A única resposta que tenho é o cansaço de viver numa montanha-russa de sentimentos, que me leva do mais alto topo da felicidade até a mais estranha profunda tristeza, num passeio envolvido por toda a adrenalina devida, que dura alguns poucos dias e tudo que eu tenho no final é um coração batendo fora do ritmo.
Batendo pelos doces dias num lugar de delícias, num paraíso florido de hortênsias, com perfume de chocolate nos lábios e no ar, e pra ser "bittersweet" como minha vida, o que mais me agradou, é claro, foi o chocolate com pimenta.
Coração que ainda sente o embalo da canção por toda a madrugada, que se eleva na elegância das tardes românticas enevoadas, regadas pelo vinho suave que o esquentava no frio; que se aquieta no aconchego das noites em caracol debaixo de uma manta quadriculada laranja e verde, com o balançar do ônibus na estrada, me lembrando que você estava bem ao meu lado, enrolado em sua própria manta, que se misturava com a minha, tanto na viagem de ida, quanto na volta... Um simples desconhecido, mas que, por hora, era tudo que meu coração queria. Um desconhecido que estranhamente por uma noite resolveu cuidar de mim.
Coração que se iluminou por ruas de delicadezas, por gestos de extrema educação, por sabores divertidos e muitas danças, jogos e carinhos.
Dançar por toda a madrugada o fez se sentir livre, pronto pra voar pra qualquer terra onde pudesse aterrissar.
Coração que, então, volta pro seu ninho, pro que supostamente era seu e o que recebe? Um golpe que o faz desmoronar dos seus vôos altos. O golpe de ser enganado, de ser trocado por tão pouco. Ou por muito menos do que ele acreditava ser valioso pra quem o amava. E pra quem ele amava.
E, como sempre, em um pôr de sol na praia, meu coração se sente seguro. Numa conversa de palavras sinceras, ele relembra a doce sensação de querer apenas se sentir em casa.
E entre os seus, ele estava em casa. Ao olhar pro seu rosto, intrigantemente bonito, e ver o brilho dos seus olhos castanhos escuros contrastando com o azul do mar, ao ouvir sua fala amiga, ele se sentiu em casa.
E, no sobe e desce da montanha-russa, ele entendeu por que o fez tão bem dormir no balanço do ônibus, ao lado do dono daquela pele morena-canela, com alguns fios prateados entre os fios pretos do cabelo.
Porque amar algo que ele não conhece não é difícil, não o faz se envolver, se entregar totalmente, como ele sempre teima em fazer. (Porque depois ele sabe que vai pagar o preço dessa entrega. A entrega é sempre retribuída com decepção.) Faz apenas ele sonhar, imaginar estar ali, ao lado de alguém que ele sabe que não vai perder, pois não se perde aquilo que não se tem. E isso basta. Ao menos por enquanto.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O que eu quero

"- E o que você quer? - Ele estava curioso pela resposta e ela pensou a respeito por um longo tempo.
- Uma vida tranquila e calma comigo mesma - disse ela cuidadosamente. - Ou, se eu colocar o meu coração de fora novamente, quero que seja pelo homem certo.
- Como poderia descrevê-lo? - perguntou ele com aparente interesse objetivo. (...)
- Como o descreveria? - repetiu ela - Não tenho certeza se me importo com sua aparência, embora a beleza seja boa, mas preferiria que fosse delicado, bom, inteligente, gentil, piedoso... mas você sabe o que mais? - Ela olhou para ele diretamente nos olhos e decidiu ser honesta - Quero que ele seja louco por mim. Quero que pense que eu sou a melhor coisa na vida dele, que ele tem muita sorte por me ter. Sempre fui aquela que deu o amor e a entrega, e que fez todas as concessões. Talvez seja a hora de virar a mesa e conseguir algo do que venho oferecendo. (...)
- Isso pode soar meio louco pra você - disse ela - quero um homem que atravesse céus e terra porque se preocupa comigo... e atravesse um furacão por mim, se for preciso. Acho que é isso o que estou dizendo. - Ela sorriu para ele então e pareceu surpreendentemente jovem e incrivelmente bonita. - O cara certo pra mim é um homem que quer realmente me amar. Não parcialmente. Não talvez. Eu apenas quero um homem que eu ame com todo o coração... e que me ame da mesma forma. "

(Trecho do livro "Meio amargo" - Danielle Steel)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Debaixo do meu guarda chuva

"Você tem meu coração
E nós nunca vamos estar em mundos separados
(...)
Quando o sol brilhar, nós brilharemos juntos.
Eu te disse que estaria aqui pra sempre,
disse que eu sempre seria sua amiga.
Fiz um trato e vou com ele até o fim.
Agora que está chovendo mais do que nunca,
saiba que nós ainda teremos um ao outro
Você pode ficar embaixo do meu guarda-chuva..."
(Under my umbrella - Rihanna)

Mesmo que venham chuvas, mesmo que elas venham todos os dias, não há nuvens em nossas tempestades... Porque raios de muito amor clareiam nossos belos horizontes. E o barulho furioso de qualquer trovão será o som do nosso desejo.
E porque sei que temos amor para atravessar até o fim das águas (você pode ficar embaixo do meu guarda-chuva), também sei que poderemos sentar e apreciar o arco-íris, com cheiro de terra molhada, no nosso fim de tarde. No nosso fim de chuva.
Com a nossa paixão, é tão simples andar nas chuvas torrenciais quanto caminhar no calor do sol das 6h30 da manhã.
Desde que estejamos juntos. Juntos, iremos dançando com as gotas em nossas faces, iremos pulando por entre as poças do chão. Desenhando nossos rostos na água cristalina dessas poças.
Seremos só felicidade, na chuva, no sol, nas flores, na neve ou em qualquer uma das quatro estações.

sábado, 27 de setembro de 2008

Amor à segunda vista

À primeira vista,
menino sem rosto.
Mais um rosto numa multidão
de faces desconhecidas.

Horas se tornando dias,
desconhecidos se tornando mehores amigos
Ruas se tornando caminhos
e, numa mágica divina,
um lugar sem vida sendo iluminado
Vidas sendo tranformadas
Novos destinos pouco a pouco traçados.

No meio do sonho
Então vi o brilho no olhar,
senti o carinho no toque,
ouvi a paixão no falar.

Relutante, por um momento pensei
que era muito sonho,
apenas dias bonitos
Apenas uma mente fértil
viajando numa direção
contrária à realidade.

E reparando melhor,
era o rosto que me olhava na foto;
a voz que sabia meu nome,
mesmo sem nunca ter me chamado
Evidências disfarçadas de coincidências.

À segunda vista,
o rosto que não saía mais dos sonhos,
o que eu procurava em todos os outros.

O menino do rosto que saiu da multidão
para habitar até o para sempre
em todos os pensamentos,
em todos os sonhos,
a cada noite desde então.

(Fernanda Maria)


Mais forte na saudade

Eu quero ser forte pra nunca te perder.
Prefiro que as lágrimas caiam pela dor
de ver você partir,
porque sei que essa partida será breve
e que ao fim de alguns dias
irei te ter outra vez,
do que sentir na pele do rosto
as lágrimas de uma partida eterna.

A força dessa saudade,
que prende o soluço na garganta,
que contrai o âmago de qualquer parte dentro de mim
e essa falta constante
de certa forma são amenizadas
pela certeza de um amor
que mesmo se não fosse falado,
não haveria como duvidar dele,
porque é visto no fundo do olhar,
é transmitido no calor da pele,
é gritante na fúria desesperada
de um beijo inevitável,
de bocas que em silêncio
imploram uma pela outra;
de um abraço que é sentido
mesmo quando os braços
não podem se tocar.

E porque é necessário que seja assim,
é além do presencial,
que é forte na presença,
tão mais forte na ausência,
que esse sentimento aprende a ser mais forte,
aprende a resistir a tudo,
pra que possa atravessar barreiras
e persistir pelos anos,
pelos lugares distantes...

Envolvido pela saudade,
mais forte nessa saudade,
irá pelos desertos, ventos e mares,
como um bravo guerreiro,
permanecer vivo
e mais do que forte,
permanecer eterno.

(Fernanda Maria)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O silêncio que fala

"Mesmo tendo encontrado Deus no deserto de uma forma dramática, Moisés recuou, para não fazer o que Deus havia pedido, porque sentiu-se incapaz e disse:
'Ah, Senhor! Nunca tive facilidade para falar, nem no passado, nem agora que falaste a Teu servo. Não consigo falar bem, pois sou pesado de boca e de língua.'
Como isso me era familiar!
Mas Deus respondeu: 'Quem fez a boca do homem? Quem o faz surdo, ou mudo? Quem lhe concede vista, ou o torna cego? Não sou eu, o Senhor?' (Êxodo 4.10-14)
(...) Se você realmente quer que Deus o use, então precisa desejar segui-lo em lugares desconfortáveis e fazer coisas que você simplesmente não conseguiria fazer naturalmente. Se tudo lhe parece estranho, lembre-se que os caminhos de Deus não são os nossos.
A vida que Jesus oferece é uma vida sobrenatural e virá tudo de cabeça pra baixo, não fazendo sentido algum em nossa mente natural. Em Sua infinita sabedoria, Deus realiza coisas por caminhos que não nos ocorreriam, nem se tivéssemos um milhão de anos para ponderar sobre eles. Ele escolhe as coisas tolas para melhor mostrar-nos a Sua sabedoria. Ele escolhe os fracos para mostrar Sua força. "
(Trecho do livro "Tu és fiel, Senhor", de Carol Cymbala)

Mais um ensaio. Mais um em que praticamente não abri a boca pra cantar por mais que dois minutos. Ficava ouvindo-os em suas belíssimas divisões de vozes, contraltos, sopranos e tenores, mais do que lindos. Era um som perfeito. Ficava mentalizando a procura de notas, pra ver se também podia as encontrar dentro da minha cabeça. E ao invés das notas, só ressoava em minha mente as palavras da professora de canto: "Terá uma bela voz quando resolver soltá-la de dentro de si..." - "Tens uma voz gostosa de ouvir, dará inveja a muitos quando você abrir a boca... Ninguém mais vai te segurar..."

Mas esses sons se mesclavam com outros, um pouco mais antigos: "Pede pra abaixar o microfone da Fernanda" - "Você não sabe cantar... Não é só porque você gosta, que você pode cantar..."

E tudo isso se juntava à minha percepção do que é o canto pra mim. Não quero cantar pra ser artista. Não quero gravar CDs ou ser ouvida fazendo solos em recitais, shows ou óperas. Só quero usar o que mais amo nessa vida - a música, sem a qual não sei viver - para servir a Ele. Essa foi a forma que encontrei de dizer a Ele do meu amor. Cantando posso expressar minha gratidão pelo que Ele fez... Com canções posso dizer ao mundo que Ele também quer mudar suas vidas.

Mas onde estou parece que tem que ter excelência. Tem que ser artista. Parece que a técnica vale mais que o coração adorador. Que o ouvido e a voz perfeitos são mais importantes que a unção. E assim, me calo pra refletir.

Descobri que não sei cantar com a mente (leia-se, não tenho inteligência musical). Só sei cantar se for com o coração. Em seguida, me deparo com esse texto... Só me resta cantar, em silêncio, para o meu Deus, e somente Ele, me ouvir:

"Pai, quero dizer que Te amo
mas eu não sei como
e assim as coisas lindas que eu preciso dizer
permanecem escondidas no silêncio do meu ser...

Pai, quero dizer que Te adoro
mas quase sempre eu choro
E assim a melodia da mais linda canção
permanece prisoneira dentro do meu coração...

E eu não consigo falar, eu só consigo chorar
Não encontro as palavras, a minha voz se cala
mas o meu silêncio quer Te adorar!

E o meu silêncio vai soar aos Teus ouvidos
como canção de melodia inexprimível!
Como poesia declamada pelo Espírito
pra Te adorar, oh Deus, no silêncio do indizível...

Quando me faltarem palavras para expressar o meu amor por Ti
Que o meu silêncio fale mais alto por mim."
(Meu silêncio - Marina de Oliveira)
"Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios. Escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus." (I Coríntios 1.27-29)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Rotina


"E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém...

E a gente vai à luta e conhece a dor
Consideramos justa toda forma de amor."
(Toda forma de amor - Lulu Santos)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Aparência

Teria uma linda voz, segundo sua professora de canto... Tão linda que daria inveja a muitos que a ouvissem.Teria uma voz "gostosa" de ouvir, se não fosse a timidez que a impede de abrir a boca e soltar todo o fôlego dos pulmões.

Teria um rosto de princesa, segundo seu namorado.
Sua pele seria como a de uma boneca de porcelana, se a correria de sua rotina não a presenteasse com muitos distúrbios alimentares.
Se não se alimentasse, em todas as suas refeições, de todo tipo de porcaria que o mundo fast-food atual pode oferecer.

Teria um corpo digno de quem faz academia, segundo alguns amigos... Mesmo que não tenha jamais freqüentado alguma.
Teria a silhueta de uma estrela.
Se a ansiedade das madrugadas não dormidas não a fizesse acreditar que a única forma de controlá-la é o chocolate.


"Terei toda a aparência de quem falhou. E só eu saberei se foi a falha necessária."
(Clarice Lispector)

(Terá um futuro dos sonhos. Varanda, animais, filhos gêmeos, marido apaixonado, carro, piano, música.
Se o Deus que cuida dela, de fato, realizar todos os sonhos com os quais ela colore seu futuro.
Que, de todas, essa seja a única certeza.)


 

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Parabéns, futuro!

"... Ser veterinário não é só cuidar de animais.

É, sobretudo amá-los, não ficando somente nos padrões éticos de uma Ciência Médica.

Ser veterinário é acreditar na imortalidade da natureza e querer preservá-la sempre mais bela.

Ser veterinário é ouvir miados, mujidos, balidos, relinchos e latidos, mas principalmente entendê-los e amenizá-los.
É gostar de terra molhada, do mato fechado, de luas e chuvas.

Ser veterinário é não importar se os animais pensam, mas sim se sofrem.

É dedicar parte do seu ser à arte de salvar vidas.

Ser veterinário é aproximar-se de instintos. É perder medos. É ganhar amigos de pêlos e penas, que jamais irão decepcioná-lo.

Ser veterinário é ter ódio de gaiolas, jaulas e correntes.
É perder um tempo enorme acompanhando rebanhos e vôos de gaivotas. É permanecer descobrindo através dos animais, a si mesmo.

Ser veterinário é ser o único capaz de entender rabos abanando, arranhões carinhosos e mordidas de afeto.
É sentir cheiro de pêlo molhado, cheiro de almofada com essência de gato, cheiro de baias, de curral, de esterco.

Ser veterinário é ter coragem de penetrar num mundo diferente e ser igual.

É ter capacidade de compreender gratidões mudas, mas sem dúvida alguma, as únicas verdadeiras.
É adivinhar olhares, é lembrar do seu tempo de criança, é querer levar para casa todos os cães vadios sem dono.

Ser veterinário é conviver lado a lado com ensinamentos profundos sobre amor e vida..."

Ser veterinária é o que nasci querendo ser.
Ser veterinária é ter uma profissão que faz você sonhar, chorar e se emocionar até numa simples palestra sobre mercado de trabalho.
Ser veterinária é considerar justa toda forma de amor.

9 de setembro - Dia do Médico Veterinário.

"Eu fiz a terra, o homem e os animais que estão sobre a face da Terra, com meu grande poder e com meu braço estendido e os dou a quem for justo." - Jeremias 27.5

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Gotas de tempestade

Era um momento lindo por si só
Os dias estavam mais perto do sonho
do que da realidade
Era o momento mais doce,
o momento certo.

Mas o Autor daqueles dias
sabia que poderia torna-los
ainda mais felizes
Trazer a eles sorrisos ainda mais intensos

Tudo feito de instantes,
tudo contruído em poucos minutos
Poucas palavras,
poucos olhares,
abraços ocasionais,
poucos encontros
e tempo, quase nenhum

Mas o Deus que criou a complexidade do ser humano
de poucas partículas de pó
O Criador que formou o Universo
em poucos sete dias,
o que não conseguiria tornar grande a partir de pequenas coisas?

E porque Ele nos amou primeiro,
nos ensinou a amar
o suficiente para construir
uma longa estrada
em poucos dias,
com pequenos instantes.

E porque é assim
de pequenas gotas
que grandes chuvas são formadas
e inundam a terra
que poucos instantes bastam
pra ver nascer um sentimento
que a vida inteira
não seria suficiente para fazer esquecer.

(Fernanda Maria)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Como o fogo


terça-feira, 12 de agosto de 2008

I just didn't know

"I was alone thinkin' I was just fine
I wasn't lookin' for anyone to be mine

I thought love was just a fabrication,
a train that wouldn't stop at my station
Home, alone, that was my consignment
Solitary confinement
So when we met I was getting around you
I didn't know I was looking for love until I found you...

'Cause there I stood and I would
I wonder could I say what I felt
and not be misunderstood
A thousand stars came into my system
I never knew how much I had missed them

Slap on the map of my heart you landed
I was coy but you made me candid
and now the planets circle around you
I didn't know I was looking for love until I found you...

So we build from here with love the foundation
In a world where tears' our consolation
Now you here there's a full brass band
playin' in me like a wonderland
and if you left I would be two-foot small
and every tear would be a waterfall
Soundless, boundless I surround you
I didn't know I was looking for love..."


(Looking for love - Everything but the girl)

Nada pode deter

Sempre soube que quando o vento toca o meu rosto é pra me lembrar que o tempo vai com ele, levando em suas asas os meus dias.
Queria entender porque tudo que eu realmente amo fazer sempre acaba assim, empilhado em rascunhos, esperando que eu decida ter tempo para fazê-lo.
E então, quando eu me dou conta, o tempo que eu precisava já passou, de repente se tornou em semanas, meses, até anos, que se foram sem que eu tivesse tempo. Tão contraditório quanto a percepção de que, na verdade, aquilo no qual eu gasto mais tempo é aquilo que eu menos quero fazer.
Vim aqui pra ver se esse blog ainda me reconhece, só para dizer das infinitas histórias que eu tenho para deixar (e vou!) aqui, das inúmeras preciosidades que me aconteceram nesse tempo que não apareci. Mas mesmo assim, não desisto de explicá-las, uma a uma, ainda que demore, ainda que seja em várias postagens fora de ordem, com datas incoerentes.
Eu sempre faço questão de acreditar quando todo mundo diz que eu sou teimosa. Por isso não desisto de nada que ponho na cabeça que devo fazer. Nem que seja preciso, como agora, dar pequenas fugidas do "o que não quero fazer e passo a maior parte do tempo fazendo" para o " o que gostaria de sempre estar fazendo, mas nunca me permito ter tempo para tal".
Assim, quem sabe, um dia consigo terminar esses esboços mal-acabados e vacilantes de mim (Clarice, como sempre, definindo-me tão bem!), espalhados por entre cartas nunca entregues, páginas de agenda rasgadas, blogs incompletos, livros lidos apenas do meio para o final, crônicas vividas e não escritas e declarações de amor (essas sempre faladas, nem que seja pro espelho.)
Até eu mesma preciso ver se me reconheço, porque há muito tempo não me vejo feliz como estou agora. Encarando a vida com garra, destemida, eufórica, com a cabeça erguida até em situações implacáveis, decidida a realizar meus sonhos e não esperar que eles sejam realizados por acaso.
Deve ser porque Deus tem me dado tantos presentes. Deve ser porque descobri o sentido da minha vida na prática. Sei lá.
Nada pode deter. Nem ao tempo, nem a mim.

Citação: - O tempo (Juninho Afram) -

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Divisor de águas

Projeto Barnabé - Uma revisão...

Nem se eu pudesse usar todas as palavras do mundo - sem exageros - eu conseguiria expressar com elas todas as emoções e sentimentos que eu vivi durante esses doces 15 dias. Mas posso, quem sabe, deixar aqui o gostinho do que é simplesmente SERVIR.
Pra começar, preciso dizer que senti na pele o que é ser o sal da terra. Aprendi na prática o que é se esvaziar totalmente de si mesmo e se deixar nas mãos de Deus, pra que Ele faça com você o que quiser. Pra que Ele leve seus passos pra lugares onde você nunca imaginou estar. E ao chegar nesses lugares, ser recebida com palavras que confirmam que você estava sendo esperada. (Mas como, se você nunca antes viu tais pessoas? Se nunca falou com elas e nem sabia o que elas estavam fazendo?) Mas Deus as conhecia.
Meu roteiro começou com uma pequena viagem até Juiz de Fora. Sim, pequena, comparada com a próxima viagem, a ser feita dali a algumas horas. E, apreciando o caminho, recordando a serra que me levou até Ouro Preto um dia, jamais poderia imaginar que essa seria a primeira das muitas vezes que eu frequentaria os ônibus da Útil.
Nos primeiros minutos, já fui me adaptando aos que seriam meus companheiros na aventura. Os que se tornariam meus melhores amigos pelos próximos 15 dias. Entre as apresentações, primeiros contatos e conversas, "no céu, uma estrela então brilhou...", mas isso é assunto para um outro post.
Depois de quase 24 horas, muitas rodadas de "a cidade dorme", alguns DVDs e a expectativa do almoço que não veio, chegamos ao nosso querido destino.
Recebidos com uma festa pra lá de caipira, um arraiá digno de "sertão" mesmo, com direito a fogueira, berrante, muitas espigas de milho e até "quentão gospel", bastou um cachorro quente e bolo de fubá pra esquecermos o quanto estávamos exaustos e dançarmos forró (ou louvor rural), dança das cadeiras e subir no pau de sebo.
Mas ao chegarmos no aconchego dos lares das pessoas que por uma noite seriam "nossas famílias", como pedras, só acordamos na manhã seguinte. E com disposição total pra usar toda criatividade possível numa gincana bíblica e pra correr pelas dependências da igreja numa agitada "caça ao tesouro".
E o resto do dia passou assim, entre visitas e música, com toda serenidade daquela cidadezinha que transmite tanta calma em seus ares. Mas tudo isso foi só a introdução. E não se parecia nem um pouco com as batalhas que sabíamos que nos aguardavam na cidade ao lado. E como guerreiros destemidos, cheios da certeza da vitória de Deus, que estava ao nosso lado, partimos para lá.
Fomos mapear o campo de batalha, caminhando em silêncio, os verdinhos, por toda a Vera Cruz do Oeste.
E então, na mesma tarde, nossa guerra começou. E de casa em casa, de vida em vida, entre erros iniciais e acertos do Espírito Santo, uma nova Vera Cruz começava a nascer.
"Diariamente, perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (Atos 2. 46 e 47)
Todas as noites, aquele espaço diminuía, enquanto o número de pessoas atraídas a ele crescia vigorosamente.
E eu, deslumbrada ao ver todo dia o poder de Deus tão de perto, tão real, e fascinada por estar fazendo parte dessa obra Dele, não poderia nem imaginar que o que Ele iria fazer estava apenas começando. E mais, Ele não faria mudanças e milagres apenas naquelas vidas que fomos ali alcançar. Mal podíamos ver que os maiores milagres Ele estava operando em nós mesmos.
E aí, a gente começa a aprender o que é, de fato, ser útil. Esquecer seus pequenos problemas pra consolar corações feridos, para ministrar cura em casos sem solução, para levar libertação e dizer que há ainda esperança. E dia após dia, crianças descobrem que têm em Jesus um grande amigo, mães percebem que Ele é a solução para seus filhos perdidos. Jovens se perdendo em meio às trevas das drogas e da prostituição começam a notar que Alguém pode preencher todo o seu vazio.
E então, você tem a oportunidade de se dar, de servir. Você faz a unha e alisa o cabelo de mulheres que nunca fizeram isso na vida. Você acompanha o atendimento médico de quem não sabe mais o que fazer. Mais bonito ainda, você acompanha o atendimento do Médico que vai curar a alma daquelas pessoas.
Deus te manda na casa de alguém que pediu, há uma semana atrás, que recebesse um sinal de que poderia voltar a igreja, pois o marido alcóolatra a proibia.
Depois de andar por 14 kilômetros, você chega num paraíso no meio do campo, onde você encontra uma família que chora a morte recente de um filho. Uma mãe que pedia a Deus pra mostrar o Seu amor e compaixão pra com eles. E você é a resposta de Deus, mesmo sem saber. Ao ouvir "vocês fizeram a diferença na nossa vida", vai tomando lugar a sensação de missão cumprida.
Enquanto isso, uma família ia nascendo. Irmãos que estariam para sempre juntos, mesmo quando aqueles 15 dias acabassem. Irmãos unidos com laços espirituais que durariam por toda a sua vida. Os irmãos que enxugaram suas lágrimas quando você quis desistir. Que fizeram as orações quando você não tinha mais forças, sem poder resistir às pressões malignas que queriam impedir o projeto de ir a frente. Os irmãos que se importaram, que te deram conselhos queridos, que se alegraram com sua vitória, que suspiraram por seus sonhos, que adoçaram com mimos o dia do seu aniversário, e você não se sentiu passando-o sozinha numa cidade estranha, pois você não estava entre desconhecidos.
Tantas histórias eu poderia contar... Tantos feitos e maravilhas. Quantas vitórias? Quantas palavras Dele, lidas em um momento e vividas, presenciadas, sentidas, no momento a seguir...
Como é bom saber que voltei de lá transformada, quando o objetivo inicial era transformar. O Projeto Barnabé, indiscutivelmente, dividiu as águas da minha vida. Moveu águas que eu nem esperava que seriam mexidas... Quem quer que tenha dito isso, tinha razão, "você não volta igual de um projeto missionário".
E o que me faz feliz, mesmo estando de volta "ao mundo real" (esse um pouco mais complicado, barulhento e poluído - em todos os sentidos) é saber que os frutos irão comigo por toda a minha existência. Os frutos, os presentes, as pessoas...
E o que inquieta, é que ainda há tanto pra fazer... Tanto por aqui, tanto por tantos lugares...
Por isso, clamamos ao Senhor da Seara, que mande trabalhadores para Sua Seara!

"Da multidão dos que creram, era só um o coração e a alma,
uma somente, uma semente...
Somente uma esperança brotando dentro da gente
Nosso era o pão cada dia,
nosso era o vinho, santa folia!

O que se parte, reparte a própria vida...
Galho ligado à parreira, vida em comum verdadeira
Sempre grande poder, curas, milagres de Deus
Sempre proclamação: Cristo, o Senhor, ressurgiu!

Da multidão dos que creram era só um o coração e a alma
Muita alegria, singela a vida
Na simpatia de todos, nasce a igreja de novo
Povo de Deus, sal e luz pra todos os povos!"

(Unidade e Diversidade - Vencedores por Cristo)

Mais fotos e informações sobre essa missão em: Projeto Barnabé - álbum