"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Nada pode deter

Sempre soube que quando o vento toca o meu rosto é pra me lembrar que o tempo vai com ele, levando em suas asas os meus dias.
Queria entender porque tudo que eu realmente amo fazer sempre acaba assim, empilhado em rascunhos, esperando que eu decida ter tempo para fazê-lo.
E então, quando eu me dou conta, o tempo que eu precisava já passou, de repente se tornou em semanas, meses, até anos, que se foram sem que eu tivesse tempo. Tão contraditório quanto a percepção de que, na verdade, aquilo no qual eu gasto mais tempo é aquilo que eu menos quero fazer.
Vim aqui pra ver se esse blog ainda me reconhece, só para dizer das infinitas histórias que eu tenho para deixar (e vou!) aqui, das inúmeras preciosidades que me aconteceram nesse tempo que não apareci. Mas mesmo assim, não desisto de explicá-las, uma a uma, ainda que demore, ainda que seja em várias postagens fora de ordem, com datas incoerentes.
Eu sempre faço questão de acreditar quando todo mundo diz que eu sou teimosa. Por isso não desisto de nada que ponho na cabeça que devo fazer. Nem que seja preciso, como agora, dar pequenas fugidas do "o que não quero fazer e passo a maior parte do tempo fazendo" para o " o que gostaria de sempre estar fazendo, mas nunca me permito ter tempo para tal".
Assim, quem sabe, um dia consigo terminar esses esboços mal-acabados e vacilantes de mim (Clarice, como sempre, definindo-me tão bem!), espalhados por entre cartas nunca entregues, páginas de agenda rasgadas, blogs incompletos, livros lidos apenas do meio para o final, crônicas vividas e não escritas e declarações de amor (essas sempre faladas, nem que seja pro espelho.)
Até eu mesma preciso ver se me reconheço, porque há muito tempo não me vejo feliz como estou agora. Encarando a vida com garra, destemida, eufórica, com a cabeça erguida até em situações implacáveis, decidida a realizar meus sonhos e não esperar que eles sejam realizados por acaso.
Deve ser porque Deus tem me dado tantos presentes. Deve ser porque descobri o sentido da minha vida na prática. Sei lá.
Nada pode deter. Nem ao tempo, nem a mim.

Citação: - O tempo (Juninho Afram) -

0 comentários:

Postar um comentário

"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)