"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

domingo, 7 de junho de 2009

Gigante desvalorizado

Havia semanas em que dois dias a gente se via, nos outros se falava pelo telefone;
houve os anos em que nenhuma notícia chegava;
há os dias depois de semanas sem se ver.
E eu costumava chamar então de necessidade, ou falta.

A vida podia ser triste até dizer chega ou infinitamente generosa,
era sempre ele o segundo (considerando que Deus era o primeiro) a saber, mesmo sem constatar esse fato.
Quando eu precisava de conselho, desabafo, resposta, ou apenas um motivo pra rir, nunca pensava em outra pessoa. (Mesmo sendo a mais indisponível pra mim sempre.)

Falando como uma matraca, ou calada feito a menina do nível intermediário do curso de inglês em seus primeiros dias de aula.
Eu podia ser quem eu quisesse ser, porque ele já conhecia o que eu era, o que eu gostaria de ser e o que eu provavelmente nunca seria.
Ele era o responsável pelas minhas gargalhadas mais felizes,
que foram ficando ainda melhores conforme nossa intimidade aumentava
e nossa cumplicidade se tornava inquestionável.

Se eu pedisse um abraço,
ele me dava mil desculpas,
mas não dava o abraço.
Meses depois, ele reclamava a amiga que queria dar um abraço se ele estivesse triste.
(O mesmo abraço que ele nunca deu...)

Confortava-me com sorrisos, caras emburradas, ou quando juntava os dois em "te conheço mais que qualquer um",
e aquilo tudo era o que eu precisava. Podia até chamar de felicidade, e era assim mesmo que eu chamava.

Teu aniversário,
e é claro que eu comemoro.
Porque o presente sou eu que tenho o prazer de ganhar:
A nossa multifacetada amizade (bonito isso, né?!)
A nossa amizade de muitas caras, em todas as suas nuances,
com todas as brigas, discussões,
com todos os desentendimentos e os entendimentos,
com toda a mistura de sentimentos que ela me provocou,
e aquela oscilação entre eles numa fração de segundos.

Chamar de presente é pouco.
É um baú de tesouros, desses que os piratas encontram nos filmes.
É uma preciosidade, dessas que têm as pérolas dentro das ostras.
É uma caixinha de surpresas, dessas que as crianças adoram abrir,
e se surpreender todas as vezes que o fazem.
É tipo uma caixa de bombom, dessas que quando você abre,
descobre que vieram uns quatro do seu preferido.
É o meu pote de ouro, desses que quem caminha até o fim do arco-íris diz achar.
(Porque nossa amizade tem mesmo todas as cores do arco-íris!)

Te chamar de melhor amigo ainda é pouco.
Eu costumo te definir com a primeira estrofe de uma música do Cazuza:

♪ ♫ "Quando a gente conversa,
contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum,
deixando escapar segredos
E eu não sei em que horas dizer,
me dá um medo (que medo!)

É que eu preciso dizer que eu te amo,
te ganhar ou perder sem engano..." ♪ ♫

Ganhando ou perdendo,
Eu te amo - Passado, presente e futuro.

P.S.: Você nunca vai saber o quanto nossa amizade me faz bem!
Até quando você vacila comigo e eu fico sinceramente com vontade de nunca mais falar com você, até quando você me decepciona, até quando você não me entende, porque não ouve direito, e subestima tudo... Porque eu ainda acho que é verdade que quando você quer, você sabe me entender melhor do que ninguém.
 
#amor

0 comentários:

Postar um comentário

"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)