"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

sábado, 5 de julho de 2008

Procura-se...

...um amor:

que goste de cachorros

que saiba dançar e ame isso a noite toda

que saiba ouvir música e faça dela sua rotina

apaixonado por filmes (acompanhados sempre de brigadeiro de panela, ou um chá quente, debaixo de uma coberta macia, ao som de uma chuva fina, numa doce madrugada)

alto, forte, de olhos azuis e cabelos pretos (esse item até pode ser dispensável, mas já que eu tô falando de sonhos...)

que saiba ouvir

que se não puder ser, que ao menos entenda e aceite o romantismo

que se entregue a Deus antes

que saiba orar, nos momentos fáceis e nos difíceis

que seja sensível, e portanto, aceite viver uma história única
e eterna
enquanto puder...

que seja leal, e portanto fiel

que leia a bíblia comigo, mas não faça SÓ isso

que leia bons livros e os incorpore a si

que encontre prazer num sábado no teatro,

ou num momento sob a lua em frente ao mar

que seja o canto, a voz, a melodia,

que seja a poesia, os acordes, os mais lindos

que ouse encarar o novo, sem medo

que não tenha medo de trilhar outros caminhos,
conhecer novos rumos
e explorar o desconhecido

cujo coração bata forte ao ouvir
que há muito pra ser feito nesse mundo

e que me acompanhe nessa missão: a de fazer o que eu posso
de falar do amor, da paz,
de proteger a criação
de salvar vidas (aqui na terra e lá no céu)

que tenha ouvidos que se adaptem
ao tom da minha voz
e não interrompa meus raciocínios mais importantes
só porque eu tô falando alto

que se revele em pequenas surpresas

que surpreenda ao longo da semana

que ouça a trilha sonora que embala o beijo

que tenha olhos que brilhem no meio da noite
(ou no meio da terça feira mais corrida)

que seja sensível à brisa que toca a face

que experimente o que é chorar de emoção

que sinta saudade e se deixe agir por ela de vez em quando

que saiba o papel da razão e o da emoção e saiba fazer uso de cada uma delas
nas situações em que uma precisa calar a outra

que tenha ânsia de independência,
e de liberdade
tanto quanto eu

que me leve pra onde for
mas que também possa ir
onde meus passos me quiserem levar
que traduza nosso amor com as letras do Chico,
do Djavan,
do Caetano, Tom e Vinícius
que se encontre escrito e revelado nos versos
de Cecília e do Quintana
que sonhe o meu sonho

de ser pai de um casal de gêmeos
e que me deixa pôr neles os nomes
de Isabella Maria e Eduardo Isaac

Que um dia queira adotar mais 2 meninas
e me deixe chamá-las de Letícia e Clarice

que não reclame quando eu comprar um fusca rosa

que exalte os minuciosos detalhes (redundante?)
ou seja,
que note a diferença de unhas com e sem esmalte,
que aprecie os centímetros a menos no meu cabelo,
ou que elogie se ele estiver liso,
ou com as pontas em caracol

que faça uma música com o meu nome,
e toque ela pra mim
depois da nossa primeira discussão
(já que ela é inevitável)

que seja criança
quando quiser brincar nos parques
nadar nas cachoeiras
correr na água da praia
cair e ralar o joelho nas trilhas
que terminam em paisagens sublimes
como o arco-íris termina num pote de ouro

que seja melancólico,
mas sem ser demasiadamente

que leia entrelinhas

e que encontre nelas inspiração
pra escrever versos,
poemas,
cartas,
canções

que tenha um ideal e não descanse até alcançá-lo

que possua garra, sonho, imaginação
que se somem aos meus
e que esses juntos, então
nos levem ao longe
ao futuro

que junto comigo possa ver o futuro que nos aguarda
e mergulhar nele sem olhar pra trás

que, um dia, nesse futuro
possa olhar pra trás
e chorar,
lágrimas de emoção
lágrimas de vitória
de conquista

"Ah! - gritou-se muda de repente - que o Deus me ajude a conseguir o impossível, só o impossível me importa!" (Clarice Lispector - Uma aprendizagem)

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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)