"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

sábado, 29 de novembro de 2008

Na letra da música

Lá fora, o orvalho frio das 3 horas do meio da noite. E eles, de repente, pausaram os beijos e entraram numa conversa daquelas em que as palavras têm que se esforçar pra conseguir sair de forma a dizer de fato o que se pensa... E havia muita coisa a ser dita, mas supostamente, a maior parte delas ficou subentendida no jeito que ele olhava pra ela, e ela somente retribuía o olhar.
Talvez não tenham dito tudo que um dos dois, ou ambos, queriam ouvir. Mas só a sinceridade da conversa bastava naquele momento. (E eu sei muito bem que é cedo demais pra começar a colecionar tantos pensamentos, palavras, músicas, poesias, desejos, sentimentos e reticências a respeito do assunto. Mas pro músculo que bate involuntariamente - o meu mais do que o normal, particularmente - já é tarde demais.*)
Possivelmente, no fundo dos quatro olhos castanhos, havia muitas histórias, e nelas o passado gritava com o futuro, numa guerra furiosa, que embaçava o presente e ninguém sabia qual deles iria vencer. Mas não havia forma de exteriorizar nada disso com palavras, o que tornava a conversa aparentemente simples, embora eles soubessem que não era.
E então, "por acaso", a jukebox ao lado começou a tocar uma música. E se ela pudesse falar, tudo que ela queria dizer estava ali, na letra daquela música. Nem se ela tivesse ficado a noite inteira pensando, teria encontrado palavras que se encaixavam tão bem em tudo que se passava na sua mente silenciosa.
"Bem oportuno" - pensou. Sabia que era difícil ele estar prestando atenção. Mas ela preferia assim. Ela sabia esperar. (Custou, mas ela finalmente aprendeu a esperar pelas coisas que ela queria muito.)

"Quis evitar teus olhos, mas não pude reagir
Fico à vontade, então
Acho que é bobagem a mania de fingir,
negando a intenção
E quando um certo alguém
cruzou o teu caminho e te mudou a direção...
Chego a ficar sem jeito,
mas não deixo de seguir a tua aparição
Quando um certo alguém
desperta um sentimento
é melhor não resistir
e se entregar
Me dê a mão, vem ser a minha estrela
Complicação tão fácil de entender
Vamos dançar, luzir a madrugada
Inspiração pra tudo que eu viver
Quando um certo alguém
cruzou o teu caminho
é melhor não resistir e se entregar..."

P.S.: Qualquer semelhança com a realidade não passa de mera coincidência.
P.S. II: Thanks, Lulu Santos!
* ... e então, ela finalmente compreendeu que não dava pra imaginar o quanto é cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais. (Assim mesmo, sem concordância entre os tempos verbais.)

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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)