"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Queime depois de ler*

"There's a girl in my mirror
I wonder who she is
Sometimes I think I know her
Sometimes I really wish I did

There's a story in her eyes
lullabies and goodbyes

When she's looking back at me

I can tell her heart is broken easily...

'Cause the girl in my mirror
is crying tonight
and there's nothing I can tell her
to make her feel alright

The girl in my mirror
is crying 'cause of you
and I wish there was something
something I could do
The pain that she's feeling
the sense of loneliness will fade
So dry your tears and rest assured
Love will find you like before
but when she's looking back at me
I know nothing really works that easily... "
Se eu pudesse, falaria, ou melhor, escreveria, escreveria, escreveria... Até fazer essa garota com canções de ninar e despedidas nos olhos parar de embaçá-los com tantas lágrimas, porque até ela mesma desconhece o motivo pro choro ter surgido tão repentinamente ao se dar conta da sua ausência. Aliás, ela sabe o motivo e se assusta com ele.
Mas você sabe o endereço do blog, embora eu não acredite que você apareça muito por aqui. E é o único que não pode saber que "você" é exatamente o motivo, o assunto, a dor, a paixão inesperada, indesejada e inevitável, a ansiedade, o sonho, todas as músicas, todos os sorrisos, a gargalhada, a espera que cansa, mas que por você posso agüentar.
Você é o único que não pode ouvir nada disso. Porque você tem o que eu sempre procurei; o que eu nunca encontrei em nenhum outro olhar; o que eu nunca senti ao beijar nenhum outro sorriso antes do seu. Porque dentro dos seus olhos está o meu espelho. Eu ouço a minha história quando você me conta a sua. E a cada vez que a gente encaixa nossas mãos, é como se a minha vida se encaixasse perfeitamente na sua.
Se você quisesse, eu te incluiria como personagem da minha história. Você seria o príncipe encantado, aquele que eu achava que não existia na vida real, até você me beijar de surpresa. Mas você não quer saber de nada disso. E essa espera por você é, ao mesmo tempo, tão suave e tão desesperadora. Eu aguardo você voltar do seu passado e se dar conta do presente que arde bem a sua frente, e que quer te dar um futuro feliz, bem diferente da solidão que você carrega ao se prender aos seus yesterdays.
Eu sei que você não me autorizou a sentir nada disso. Você não me deu nenhum sinal de esperança. Não posso te culpar por toda essa tristeza. A culpa é toda minha e eu assumo. Culpa gostosa de se assumir, de gritar aos quatro ventos, de escrever na areia da praia, de publicar na internet, que foi inevitável me entregar a sua doçura, ao seu encanto e a essa sensação que até então eu não conhecia.
"... e sem contar os dias que me faz morrer, sem saber de ti, jogada à solidão... Mas se quer saber se eu quero outra vida? Não, não... Eu quero mesmo é viver pra esperar, esperar você."
E eu me obrigo a parar de escrever aqui, não que o que eu tenha pra te falar seja tão pouco. Você me diz saber que há algo escrito em meus olhos, uma monografia, e quando você me pede pra falar o que é e eu me calo, suponho que você pense que é porque não tenho nada a dizer. É exatamente o contrário, me calo por ter um infinito de palavras, emoções e sentimentos pra te entregar. Mas você não pode e nem quer saber. E, infelizmente, você disse que ficou viciado nesse blog, apesar de eu não acreditar mais em você.
*É o título de um filme, que eu não assisti e portanto, não sei se é bom. Mas é um título bem adequado a essa postagem.
-Citações: Girl in the mirror/Britney Spears; Eu te devoro/Djavan-

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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)