"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Das palavras atrasadas

Justificativa.
Não, eu não fiz o blog chegar ao fim. Fui eu que cheguei naquele momento crítico que ocorre 2 vezes por ano, chamado "fim do período". A população que insistem em classificar como "futuro do país" sabe bem o que é isso. Mas quer saber? Sou mesmo o futuro. Mas não do país. Sou o meu futuro. Sou (em nome de Jesus) a futura veterinária que sempre sonhei. Dói muito viver essa não-vida de universitária. Eu choro enquanto o sol tá nascendo. Eu me desespero enquanto ele está se pondo. Essa de hoje foi uma das muitas "noites escuras de frio em que eu chorei..."
Mas, Deus uma vez me disse: "Eu fiz a terra, o homem e os animais que estão sobre a face da terra, com o meu grande poder e com o meu braço estendido, e os dou àquele a quem for justo." (Jeremias 27.5). Sinto que tenho uma missão pra com esses seres, sinto que Deus me deu eles, pra eu cuidar, pra eu proteger, pra eu curar, pra salvar a natureza que Ele criou. E os olhares, lambidas e mordidinhas de reconhecimento após o alívio de alguma dor, me fazem ter certeza de que tudo isso vale a pena.
Mas eu vim aqui pra dizer que as palavras para preencher esses espaços cor-de-rosa estão fervilhando, saltitantes, escritas em garranchos nos meus papéis de rascunhos espalhados por aí... Estão nos meus caminhos até a faculdade, nos meus segundos antes de dormir, nos meus intervalos entre as aulas, estão esperando, sem ver a hora de poder registrar as preciosidades que tenho vivido nos últimos dias. Mas já aprendi que quando esse tal de "fim do período" chega, não posso me dar ao luxo de ousar mais nada, apenas a me recolher ao meu lugar em frente a uma escrivaninha, sob uma luz branca e passar assim todas as madrugadas até o "fim do período" acabar. Mas não importa que os registros ficarão atrasados. O importante é marcar o que aconteceu. Marcar na forma de palavras. Porque na forma de pensamentos já inundou todos os meus.

-Citação : A estrada (Cidade Negra)-

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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)