"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

sábado, 28 de junho de 2008

Dona!

"Dona desses traiçoeiros

sonhos sempre verdadeiros
Dona desses animais
Dona dos seus ideais

Pelas ruas onde andas
onde mandas, todos nós
somos sempre mensageiros
esperando tua voz

Teus desejos, uma ordem
Nada é nunca, nunca é não
Porque tens essa certeza
dentro do teu coração

Tan, tan, tan, batem na porta
Não precisa ver quem é
pra sentir a impaciência
do teu pulso de mulher

(...)

Não há pedra em teu caminho
Não há ondas no teu mar
Não há vento ou tempestade
que te impeçam de voar

Entre a cobra e o passarinho
Entre a pomba e o gavião
Ou teu ódio ou teu carinho
nos carregam pela mão

É a moça da cantiga,
a mulher da Criação!
Umas vezes nossa amiga
outras nossa perdição
O poder que nos levanta,
a força que nos faz cair
Qual de nós ainda não sabe
que isso tudo te faz
Dona..."

Não há melhores palavras pra definir essa mulher virtuosa e guerreira que hoje completa mais um ano de vida.
Aquela na qual quero sempre me espelhar, até quando ela erra, seus erros se tornam pra nós ensinamento.
Aquela que nunca deixou o medo a impedir de tentar. E, portanto, sempre conseguiu voar.
Ela diz que não tem nada. Mas tem dentro de si uma força imensa que a trouxe até aqui.
Força que caminhou com ela por entre tempestades, abandonos, guerras, sonhos, esperanças, lágrimas, perdas e vitórias e nesse caminho a fez chegar até nossa vida.
A força de Cristo foi maior em sua vida, mesmo sem ela perceber isso por um tempo.
Ela já foi filha, neta, irmã, sobrinha, esposa, namorada, enfermeira, veterinária, professora, amiga, afilhada, cozinheira perfeita, comerciante, dona de casa, cantora, já sonhou, já perdeu a esperança, já recuperou a fé, já teve medo, já acreditou. Acreditando, ela conquistou muito mais do que ela mesma sabe.
Quando eu cheguei na vida dela, tudo que ela já tinha sido e o que ela ainda haveria de ser eu pude resumir numa só palavra: MÃE.
Mãe,
que quando fala, tudo se acalma;
que quando chega, tudo parece ter solução;
que quando dorme, os pesadelos acabam;
que muitas vezes toma decisões erradas,
se enrola toda por entre os espinhos da estrada tortuosa e
mais difícil que ela escolheu tomar,
mas até assim ela continua sublime,
e consegue chegar no seu objetivo.
Mesmo que demore mais.
Mas o que importa?
Seus defeitos servem apenas pra nos lembrar de que ela é um ser humano normal.
Se não, seria complicado acreditar nisso.

Às vezes ela grita,
e a gente quer fugir.
Mas preferimos seus gritos
do que seu silêncio que indica que alguma coisa não vai bem.

Às vezes ela quer ser mãe de todo mundo.
E aí, eu tenho que lembrar a ela
que a nossa casa não é tão grande quanto o seu coração.

Às vezes ela pede nossa opinião.
Mas ela vai fazer a dela.

E todas as vezes, quando eu tô andando pela minha própria vida,
eu tenho a certeza de que o que eu consegui
e o que eu me tornei
foi por causa das suas orações.

Que Cristo te conceda muitos anos de vida,
e que todos eles sejam os seus melhores anos.
E isso é um pedido que muito mais peço por mim
do que por ela mesma.

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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)