"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sobrevivi

Dia oportuno pra lembrar o quanto sobrevivi a você... Sobrevivi a uma história que entre outros infortúnios, traz a interessante notificação de que mesmo tendo durado quase 4 anos, eu nunca soube o que é passar um dia 12 de junho entre corações vermelhos flutuando no ar, por sobre olhares apaixonados mirados um pro outro. Nunca soube o que são bichinhos de pelúcia segurando corações com a boca, ou chocolates em formato de rosa, recheados com cereja e embrulhados em papel alumínio vermelho. Nunca vivi isso.
Mas... sobrevivi a você. A todas as palavras duras, a toda a sua crueldade, falta de respeito e desconsideração. Sobrevivi ao seu desprezo, sua falta de carinho e sua frieza. A tristeza e a mágoa não me corroém mais. Me fizeram forte. E fortalecida, eu cresci.
Sobrevivi a todas as lágrimas, a humilhação, a cada dor forte de cabeça, a cada acusação infundada e sem sentido. Mas abrir os olhos pra enxergar tudo isso até que foi fácil. Mesmo insistindo, teimando, "me frustrando e sobrevivendo por um fio", durante quase 4 anos, acho que chega um momento que qualquer um aprende que pancada demais não se transforma em um lindo casamento...
O melhor é que eu também sobrevivi a falta da sua companhia, aos almoços no meio da semana (mesmo correndo ao sol pra ver todo meu esforço ser gratificado com mais pressa ainda), aos seus olhos castanhos escuros no meio da noite. Resisti à estranha sensação de estar faltando alguma coisa no final do dia. Sorri ao lembrar que a minha droga noturna nada mais era do que "pequenas porções de ilusão", que se expressavam pelos telefonemas de 15 minutos, por volta das 21hs a que se resumiu a nossa "grande história de amor"... Outro dia me espantei ao constatar que já tinha passado mais de 3 meses... 3 meses que eu nem falo com você... Eu mesma me surpreendi. Quem diria que eu conseguiria andar pra frente (e com força) sem você? Quem diria... que eu conseguiria até me aproximar de Deus da forma correta... Claro, bem mais fácil sem alguém pra a toda hora me lembrar do quanto eu era perversa e pecadora, do quanto eu era má e sem merecer perdão, por ter cometido o que você chamava de "maior pecado da humanidade", o pecado de ter nascido, né... só pode...
Meus olhos não ficam mais inchados, nem minha garganta seca. Sobrevivi... E continuo sobrevivendo a todas as farpas que você de vez em quando ainda insiste em me lançar, via internet... De fato, o tempo curou aquele nosso "estranho jeito de amar"... Simplesmente porque nos fez descobrir que o que vivíamos passava longe "daquilo que chamam amor"... Tão longe que hoje sigo meu caminho bem feliz, muitas vezes até esqueço como era seu rosto, sua voz... E você segue o seu caminho, relembrando pra si mesmo do "mal que você se livrou", com o seu total desrespeito e desconsideração por tudo que eu fiz e vivi com você... que aliás, é o que você sabe fazer de melhor.
Mas sabe? Pode me difamar o quanto quiser... Minha vitória, concedida por Cristo, não por mérito meu, será comprovada pelos fatos. Que naturalmente desmentirão suas palavras.

- Citações: Estranho jeito de amar (Sandy e Júnior); Maior abandonado (Cazuza); Aquilo (Lulu Santos) -

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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)