"Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
enterro de tua última quimera
Somente a ingratidão — esta pantera —
foi tua companheira inseparável
Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
mora entre feras, sente inevitável
necessidade de também ser fera
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
(Augusto dos Anjos)
enterro de tua última quimera
Somente a ingratidão — esta pantera —
foi tua companheira inseparável
Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
mora entre feras, sente inevitável
necessidade de também ser fera
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
(Augusto dos Anjos)










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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)