"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

sábado, 17 de maio de 2008

Perguntas sem respostas

A solidão é fria. Ela tem feito arrepiar até o mais profundo recôndito do meu organismo. Só não é mais fria do que as pessoas. Preciso confessar que estou desenvolvendo em mim um medo: Medo do ser humano. Medo do que ele é capaz de fazer. Ou de não fazer.
Tudo que sinto nos últimos dias é um misto de solidão, espera, decepção e desilusão. E uma vontade infinita de ter alguém com quem conversar. Mas não tenho. Só tenho a companhia de mim mesma. E de Deus, claro. Não posso esquecê-lo nem por um segundo, porque certamente se não fosse Ele, há muito que eu já teria desistido.
Fico me questionando como as pessoas conseguem ser assim, tão frias e insensíveis. Tão amáveis e ao mesmo tempo, te apunhalando pelas costas. Sempre prontas a te assustar com que elas são capazes de fazer. Adianta me perguntar qual foi a parte em que eu errei? Não adianta porque não sei a resposta. Possivelmente errei em algum momento, até porque, infelizmente, também sou ser humano, mas não adianta porque não sei onde foi.
Será que é sempre assim? Será que as pessoas que eu amo têm sempre que ir embora? Elas têm sempre que me deixar, de uma forma ou de outra? Será que não tenho o direito de ter alguém presente por um pouco mais do que alguns momentos?
Existem muitas dúvidas na minha mente. Muitas vontades, muitas ações previamente planejadas. Mas não sei qual delas realizar e nem sei se alguma delas trará algum resultado. Por enquanto, fico aqui, perdida no vazio.
Foram muitas perdas, em um espaço de tempo tão curto. Foram muitos castelos, uns levaram anos pra serem construídos e foram sendo destruídos pouco a pouco. Outros foram rapidamente construídos, mas sua destruição foi igualmente breve. Alguns nem sei se posso chamar de castelos. Mas sei que as ondas vieram e destruíram todos eles. E o que sobrou? Algo que eu não sei o nome, mas sei que dói. Tudo que sei é que tenho sentido muita dor. A dor provocada pela decepção. Ou pela teimosia. Porque fui eu que nunca aprendi e sempre insisti em ir de corpo e alma em todo amor que se oferece a mim.
Encontro-me ferida. Tenho marcas não cicatrizadas que ainda sangram com frequência. Tenho lágrimas que ainda choro todos os dias, no meu cantinho, sozinha, sem ninguém ver. Às vezes (como agora) tento anunciá-las, talvez como uma forma de pedir ajuda. Mas é sempre em vão, porque em ilhas não há quem ouça. Nem mesmo os gritos mais repletos de dor.
Mas sabe de uma coisa boa no meio de tudo isso? Ainda me resta a capacidade de sonhar...
Essa capacidade nenhum ser humano, nenhuma decepção, nenhuma dor ainda conseguiu me tirar. E tenho muitos sonhos, que ainda se inflamam no meu peito. Dos menores aos maiores, quer ver?:
Sonho que um dia alguém vai ler esse blog. E quem sabe ler meu sinal de fumaça, que estou mandando aqui da minha ilha "solidão"...
Sonho que um dia, muitos dias, vou atender golfinhos, baleias, girafas, cangurus e coalas.
Sonho que um dia vou cantar até o fim. E que alguém, além de Deus, vai ouvir esse canto.
Sonho com a reconstrução de minhas duas famílias: a do passado e a do futuro. Entenda: A do passado, parte dela será reconstruída na eternidade. E a outra parte, eu creio, ainda vou ver unida aqui mesmo, nesse mundo. E a do futuro, Deus ainda me mandará alguém pra me ajudar a reconstruí-la no meu sonho e construí-la na minha realidade.
Sonho em ter as pessoas que eu amo de volta, não só perto do meu coração, mas dos meus olhos, pra sempre. Sonho voltar a receber seus abraços e seus beijos. E sonho que eles serão sinceros. Sonho um dia levar alguém pra Cristo.
Sonho em ver Ele voltar, e me chamar pelo meu nome pra ir embora pra casa.
Sonho... sonho... sonho... sonhos que não têm fim.
E essa capacidade de sonhar (que se junta à capacidade de continuar a amar mesmo quem me atirou tantas pedras, mesmo quem me fez tantas feridas) me dá força pra lutar. Me dá força pra continuar e seguir em frente. Porque foi assim que meu Pai me ensinou.
(Agora preciso voltar a uma das minhas fontes de esgotamento e cansaço... Preciso estudar. Quando der, conto uma novidade diferente dessa.)

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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)