"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente,
e não a gente a ele."
(Mário Quintana)

"Eu pensei em dizer tanta coisa, mas pra quê se eu tenho a música?..." (Ricardo Feghali)

"Falar é complicado, quero uma canção..." (Rogério Flausino)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

As metades de mim

"Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio...
Que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que triste...
Que quem eu amo seja pra sempre amado,
mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas
como a única coisa que resta a um homem
inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo...

 Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável...
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."

(Esse texto é do Oswaldo Montenegro... Qualquer semelhança é mera coincidência...)
 

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