Fico feliz de perceber que a minha receita de respirar outros ares, estar em outros lugares e redescobrir outras pessoas está trazendo resultados... Me sinto até quase curada daquela solidão sem fim.
Foi bom constatar que não estamos sós, de fato. Estamos apenas ilhadas. Mas há outras pessoas no mundo. Vir aqui foi como receber sinais de fogo do continente. E esses sinais diziam coisas muito boas. Diziam que há pessoas que oram por nós de madrugada. Que choram baixinho no quarto quando vamos embora. Que sentem saudade e vibram de felicidade quando nos vêem chegar, porque chegamos de surpresa.
Me senti acolhida por alguém. Me senti em uma família... De repente, me dei conta de que era a minha própria família... De que não estamos próximos porque as circunstâncias nem sempre nos permitem viver do jeito que queremos. Mas é só por isso, não é porque eles não se importam...
É uma família, com seus dilemas, suas rotinas, sua própria forma de amar, difícil de entender em certos momentos, mas é uma forma de amar. E isso basta.
E também foi bom constatar que a gente cresce, a cidade se moderniza, a vida se complica, a família aumenta (Porque houve perdas, mas os ganhos garantiram o saldo positivo), a vida de gente grande vai surgindo, o burburinho vai ficando mais forte, mas o que havia de doce e de serenidade aqui, que eu sentia desde pequena, isso não mudou...
A tia das preocupações, de todos os motivos para reclamar, a tia das palavras inadequadas, o primo fofo com voz de criança (que curiosamente não mudou, apenas se calou um pouco mais), o primo alto e bonito, a tia das palhaçadas e das grandes risadas, os tios carinhosos, o abraço da chegada, a inflamação da saída, a prima mais velha que vive hoje muito do que eu aguardo viver no futuro, a prima mais nova que fala e age o que eu falava e agia quando tinha a sua idade... e os novos membros da família que foram chegando e se apropriando dos títulos de primos e tios também... E as lembranças, os cenários antigos, os vizinhos, os avós, os animais (os do passado e os do presente), o bolo da tarde, "vamos correr pra atravessar o asfalto", "se arruma rápido porque se perder esse ônibus, outro só daqui a uma hora", a praia cujo mar me faz sentir em um aquário, o cheiro de café, o sal da carne assada... Ahhh... nada mudou por aqui...
E os lugares que pareciam encantadores e gigantes quando era criança, agora não estão mais tão grandes e atraentes assim... Mas ainda são os lugares que me fascinam, que sinto que me pertencem, que ainda guardam a magia dos meus dias de infância.
É, nada mudou por aqui. E eu estou muito feliz por ter redescoberto esse novo velho mundo. Descer do ônibus em frente à pracinha (depois de passar o arco, não esqueça!) foi como avistar a terra firme. Nem preciso chorar por ter que voltar à ilha daqui a alguns dias. Porque já sei o caminho pra cá. E não hesito em voltar muitas e muitas vezes.
Aah, mas o vazio aqui dentro ainda queima... Queima mais do que o sol em frente ao mar...
Foi bom constatar que não estamos sós, de fato. Estamos apenas ilhadas. Mas há outras pessoas no mundo. Vir aqui foi como receber sinais de fogo do continente. E esses sinais diziam coisas muito boas. Diziam que há pessoas que oram por nós de madrugada. Que choram baixinho no quarto quando vamos embora. Que sentem saudade e vibram de felicidade quando nos vêem chegar, porque chegamos de surpresa.
Me senti acolhida por alguém. Me senti em uma família... De repente, me dei conta de que era a minha própria família... De que não estamos próximos porque as circunstâncias nem sempre nos permitem viver do jeito que queremos. Mas é só por isso, não é porque eles não se importam...
É uma família, com seus dilemas, suas rotinas, sua própria forma de amar, difícil de entender em certos momentos, mas é uma forma de amar. E isso basta.
E também foi bom constatar que a gente cresce, a cidade se moderniza, a vida se complica, a família aumenta (Porque houve perdas, mas os ganhos garantiram o saldo positivo), a vida de gente grande vai surgindo, o burburinho vai ficando mais forte, mas o que havia de doce e de serenidade aqui, que eu sentia desde pequena, isso não mudou...
A tia das preocupações, de todos os motivos para reclamar, a tia das palavras inadequadas, o primo fofo com voz de criança (que curiosamente não mudou, apenas se calou um pouco mais), o primo alto e bonito, a tia das palhaçadas e das grandes risadas, os tios carinhosos, o abraço da chegada, a inflamação da saída, a prima mais velha que vive hoje muito do que eu aguardo viver no futuro, a prima mais nova que fala e age o que eu falava e agia quando tinha a sua idade... e os novos membros da família que foram chegando e se apropriando dos títulos de primos e tios também... E as lembranças, os cenários antigos, os vizinhos, os avós, os animais (os do passado e os do presente), o bolo da tarde, "vamos correr pra atravessar o asfalto", "se arruma rápido porque se perder esse ônibus, outro só daqui a uma hora", a praia cujo mar me faz sentir em um aquário, o cheiro de café, o sal da carne assada... Ahhh... nada mudou por aqui...
E os lugares que pareciam encantadores e gigantes quando era criança, agora não estão mais tão grandes e atraentes assim... Mas ainda são os lugares que me fascinam, que sinto que me pertencem, que ainda guardam a magia dos meus dias de infância.
É, nada mudou por aqui. E eu estou muito feliz por ter redescoberto esse novo velho mundo. Descer do ônibus em frente à pracinha (depois de passar o arco, não esqueça!) foi como avistar a terra firme. Nem preciso chorar por ter que voltar à ilha daqui a alguns dias. Porque já sei o caminho pra cá. E não hesito em voltar muitas e muitas vezes.
Aah, mas o vazio aqui dentro ainda queima... Queima mais do que o sol em frente ao mar...









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"Ai, palavras... Ai, palavras... que estranha potência, a vossa! Todo sentido da vida principia à vossa porta!" (Cecília Meireles)